<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965</id><updated>2011-04-21T15:47:39.451-04:00</updated><title type='text'>NEURÓTICOS ANÔNIMOS (segundo andar)</title><subtitle type='html'>public blog</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-7045873078334178316</id><published>2007-04-04T12:11:00.000-04:00</published><updated>2007-04-04T12:26:57.787-04:00</updated><title type='text'>O peso das coisas</title><content type='html'>Nasceu em 1952, em Matungos, Minas Gerais. Era Páscoa, batizaram. Verônica. Desde cedo a menina ajudou na quitanda do pai. Pegar uma lata aqui, levar um embrulho ali. O de sempre. Um dia, sentada no banco comprido de madeira, o pai lhe deu uma saca de café dizendo que segurasse com jeito, que ia passar no moedor. O moeu todo. Mas no momento de o pesar, Verônica avaliou. Pesa tanto, pai. Que. Pesa tanto. Deixa de bobeira, menina, não sabe nem contar direito. Pesa tanto. É o diaxo! Pesou. Era tanto, mesmo. Desconfiado, o pai pegou da peça de charque e pôs no colo de Verônica. E isso. É tanto. Conferindo, era.&lt;br /&gt;A filha passou a ser mais confiável que a balança. Companheira de balcão, requisitada. Mais jeitosa que uma balança. A professora não acreditou. Os doutores não acreditaram. Porque o colo da menina calculava o peso das coisas com mais exatidão que as balanças analógicas, todos corriam a ela, o farmacêutico, as benzedeiras, mulheres embaraçadas e o ourives. Ela envelhecia, requisitada. Se apaixonou. E de novo. E mais uma vez. Todos partiram. Ela ficou. A universidade queria inventar um novo sistema de pesos baseado em suas coxas, os médicos achavam improvável que elas diferenciassem massa abaixo de 0,0005 miliveros. A cada dia. A cada dia ela pegava mais asco das incertezas das coisas. Morreu aos 49, sozinha, em Barbacena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-7045873078334178316?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/7045873078334178316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=7045873078334178316' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/7045873078334178316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/7045873078334178316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2007/04/nasceu-em-1980-em-matungos-minas-gerais.html' title='O peso das coisas'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-2535950049583611843</id><published>2007-02-12T09:31:00.000-04:00</published><updated>2007-02-12T09:41:51.338-04:00</updated><title type='text'>Eu e eu mesmo, sem tirar pra lavar.</title><content type='html'>Estou há uma semana comigo. É como ficar uma semana com a mesma cueca. É até agradável, no começo. Depois a gente fica incomodado. Você começa a grudar em você mesmo, algumas partes pinicam, outras apertam. Tudo coça. É o tédio. Dá vontade de se matar, sabe, ou coisa pior. Sei lá, virar crente. E a Bruxa do Oeste está confortavelmente esmagada debaixo da casa. Taí uma boa lição de vida. Ou de morte. Sei lá. Queria tatuar Do not disturb. Dentro da minha cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-2535950049583611843?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/2535950049583611843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=2535950049583611843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/2535950049583611843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/2535950049583611843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2007/02/eu-e-eu-mesmo-sem-tirar-pra-lavar.html' title='Eu e eu mesmo, sem tirar pra lavar.'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-114901488577723559</id><published>2006-05-30T14:40:00.000-04:00</published><updated>2006-05-30T15:05:51.326-04:00</updated><title type='text'>A mulher que buscava Algo com a ponta do dedo.</title><content type='html'>A insaciável, depois de procurar no alto dos montes, em imagens sem rosto e no fundo de poços abandonados, passou a ir de beco em beco, aguardando ansiosamente a revelação de uma fresta num canto, a simetria em uma mancha na parede ou redemoinho de pó. Deteu-se a decifrar as vigas subterrâneas da vida.&lt;br /&gt;O contato com restos de comida e plásticos das sarjetas tornou-a mais desperta ao mundo sensível – mas o que ela buscava encontrava-se além do lodo no qual se punha a questionar o reflexo do céu – fazendo com que toda a relação direta com a realidade se tornasse intolerável. Assim, uma simples pedrinha hachurada era indício de um rio antepassado e uma clareira; uma ponta de lápis, uma semente perdida no interior da terra e do tronco que se transforma em pedra, em cadeias de referência que se desdobravam ao infinito.Viveu desta forma por muitos anos, apreendendo o mundo através do conhecimento pleno dos signos, sem, contudo, encontrar nada, nem sequer uma trilha absoluta, uma pegada inequívoca. Nada.&lt;br /&gt;No fim da vida teve um colapso nervoso; caiu de cama. O trato diário fazia-a encostar muito em si mesma. Nunca imaginou tantas certezas concretas ali. Com a ponta do dedo se perscrutava longamente, cada orifício e articulação. Em meio às dobras de seu corpo ela encontrava, enfim, uma pequena centelha de satisfação. Uma satisfação morna como uma toca.&lt;br /&gt;Nesses primeiros meses, ela-coelho levantava-se cedo, caminhava até a mesa e, ainda trêmula, escrevia suas úmidas visões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-114901488577723559?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/114901488577723559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=114901488577723559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114901488577723559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114901488577723559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/05/mulher-que-buscava-algo-com-ponta-do.html' title='A mulher que buscava Algo com a ponta do dedo.'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-114592165673393072</id><published>2006-04-24T19:31:00.000-04:00</published><updated>2006-04-27T17:51:18.263-04:00</updated><title type='text'>O Gigante</title><content type='html'>Quando o vi se aproximar de mim, estremeci. Pensei que pudesse vir parar do meu lado, esbarrar a mão em mim. De repente se machuca, se fere pra valer. Ele parecia um daqueles gigantes que vivem nas estórias de antigamente, Polifemo, Golias, Hércules. O homem quase tocava o teto do trem enquanto caminhava. Então reparei na bengala em sua mão. Ele guiava uma outra pessoa, uma mulher, também cega. Passaram lentamente. Pararam no fundo do vagão, provavelmente iriam dizer algo importante, sim, a mulher ajeita o cabelo, tira uma mecha rebelde que teima em ficar-lhe no rosto, uma mulher sempre tenta ficar mais bonita quando quer se ouvida. O gigante põe-se um pouco à frente, com as pernas ligeiramente afastadas para manter o equilíbrio. O trem se movimenta devagar. É o gigante quem fala. Pede uma colaboração, uma ajuda pelo amor de Deus, os tempos estão difíceis, falta comida, trabalho, falta ajuda gente, o chão está absurdamente limpo naquele vagão. Eles passam recolhendo as caridades, se chegam à porta, vão sair. O homem curva a cabeça, parece uma criança saindo de dentro de uma gruta. Fora, através da janela embaçada do vagão, vejo o majestoso Pico do Jaraguá, encoberto por muita poluição, distante, longe mesmo, diria que nem existe.&lt;br /&gt;O Pico do Jaraguá é o fantasma de um mamute com uma presa só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-114592165673393072?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/114592165673393072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=114592165673393072' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114592165673393072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114592165673393072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/04/o-gigante.html' title='O Gigante'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-114566138012015007</id><published>2006-04-21T19:07:00.000-04:00</published><updated>2006-04-21T19:16:20.130-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um enxu caiu no banco da pracinha.&lt;br /&gt;A primeira vez que eu e Juju nos roçamos,&lt;br /&gt;ali, naquele mesmo banco,&lt;br /&gt;senti uma picada de vespa nos meus gruguminhos.&lt;br /&gt;Parecia um curisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite me banhei muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-114566138012015007?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/114566138012015007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=114566138012015007' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114566138012015007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/114566138012015007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/04/um-enxu-caiu-no-banco-da-pracinha.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-113888688239875813</id><published>2006-02-02T09:15:00.000-04:00</published><updated>2006-02-02T09:28:02.406-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um menino velho me chamou pra comer égua.&lt;br /&gt;Égua é um bicho feito de pêlo, de bosta e de um cheiro quente e doce de garupa.&lt;br /&gt;Égua cava a terra com água.&lt;br /&gt;A égua é cavalo?&lt;br /&gt;Carne de cavalo é dura como curva de coice?&lt;br /&gt;O menino velho falava em boconês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-113888688239875813?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/113888688239875813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=113888688239875813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113888688239875813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113888688239875813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/02/um-menino-velho-me-chamou-pra-comer.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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Para ela doeu um pouco. Não importava agora, o leite já estava derramado mesmo, só gostaria de tomar um banho sozinha e se molhar tanto tanto que o dentro e o fora fossem um - porque acreditava que aí sim se sentiria um pouco melhor; mais inteiramente nada e apenas nem: uma água-viva morta em mar alto. Ele continuava deitado com aquela cara de pedra de amolar gasta - Tá tudo bem? Ela ouviu aquela voz que parecia de outra pessoa, afastou as doloridas lascas de aluminio e o que viu foi a própria mão molhada. A água escura escorria e se perdia entre os vão de seus dedos curtos para nunca mais voltar. Sentia-se já mortalha de si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-113837306705860785?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/113837306705860785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=113837306705860785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113837306705860785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113837306705860785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/01/eram-dois-sorvetes.html' title='Eram dois sorvetes'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-113802282669895535</id><published>2006-01-23T09:17:00.000-04:00</published><updated>2006-01-23T09:31:46.826-04:00</updated><title type='text'>A música e a cantoria</title><content type='html'>A música e a cantoria saem de uma garagem estreita e esbarram em mim e Jeová, em seu cavalo branco, vem em meu socorro. Deus caiu foi em Warterloo? Por isso a biblia é um livro cheio de oxítonas inquestionáveis. O pacto de Varsóvia foi o contrato assinado entre o grande Condutor e o povo eleito. Qual será o nome do cavalo branco de Deus? Deve ser um nome apoiado em quatro letras fortes; talvez um t e um p, talvez um o aberto seguido de um e, que é o som do arreio sendo puxado. É engraçado que os cavalos não fiquem babando quando usam freios na boca daquele jeito. Não, deve ser Nico, pois é um nome bobo e só alguém como Ele para colocá-lo em um cavalo de batalhas.&lt;br /&gt;Seguem o louvor e a música.&lt;br /&gt;Jeová sai na chuva de chinelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-113802282669895535?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/113802282669895535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=113802282669895535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113802282669895535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113802282669895535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2006/01/msica-e-cantoria.html' title='A música e a cantoria'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-113439265227399168</id><published>2005-12-12T08:58:00.000-04:00</published><updated>2005-12-12T09:04:12.273-04:00</updated><title type='text'>Os pés nos tamancos</title><content type='html'>os pés nos tamancos tronxos pisam como se pisassem em sapos. uma barriga de couro mole se escapa pro lado de fora. quando pisamos bosta mole nossa sola alisa limo? os tamancos trupicam nas agruras da calçada vejo a mulher sempre na banca de jornal é loucabilolada carrega uma sacola de feira não sei pra onde é pros quinto é pros quinto e ri ri muito. parece um boeiro. no meio-fio de sua boca vejo um cogumelo torto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-113439265227399168?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/113439265227399168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=113439265227399168' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113439265227399168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113439265227399168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/12/os-ps-nos-tamancos.html' title='Os pés nos tamancos'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-113329031451545885</id><published>2005-11-29T14:33:00.000-04:00</published><updated>2006-05-07T16:09:13.123-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há paredes que falam. Mesmo eu, um simples bibelô de estante, conheço uma, que me contou a seguinte história.&lt;br /&gt;Estava ela, de madrugada, muito inquieta por causa da quentura do sol do dia ainda presa em seu reboco, quando sentiu uma sonora presença em seu canto superior esquerdo. "É um besouro", pensou. Imediatamente, do alto surgiram dois rastros sacolejantes. Eram duas lagartixas magras por causa do inverno, que sentiam a vibração providencial do inseto. Houve uma briga daquelas, uma lagartixa atacava a outras buscando se banquetear com o besouro. No fim, a parede sentiu o arrastar tristonho de uma delas em direção a um canto. A outra continuou lá, e continuou, ficou ali até o amanhecer. Foi no dia seguinte que descobriram a lagartixa com um barbeador elétrico na boca. Eu sei, eu sei, ao lado de um cinzeiro do Motel Faraó e de um Buda ditoso sentado em uma lótus de moedas, ninguem vai me dar crédito. Ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-113329031451545885?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/113329031451545885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=113329031451545885' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113329031451545885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/113329031451545885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/11/h-paredes-que-falam.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112775808458634145</id><published>2005-09-26T14:06:00.000-04:00</published><updated>2005-11-29T14:18:27.976-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Saltou durante o intervalo em que o trem havia parado, porque, de repente, notara que já conhecia a estação para a qual se dirigia – fizera o trajeto muitas vezes. Segundos antes olhara o relógio no pulso do homem ao seu lado, concentrando-se em uma testa suada, para novamente olhar o relógio do homem ao seu lado. Fora até a porta que divide os vagões, abrira-a e saltou. O som do impacto nas pedras negras da linha férrea assustou-o, por isso afastou-se do trem rápido, indo refugiar-se entre algumas moitas, à margem. Não demorou muito e um vagão arrastou outro, aos trancos, pondo-se todos em movimento. Ele aguardou que se afastassem, olhou em direção à curva de onde o trem havia chegado. Depois virou e olhou em direção oposta, surpreendendo os últimos vagões que se perdiam numa curva. Estava no meio do caminho, ponderou. Caminhou para a borda, onde o cascalho barrava o mato. Devido à irregularidade das pedras, a caminhada era difícil, porém ele não se importava com isso. Pensava em quantas vezes passou por ali. O sol arrastava-se bem acima e ouvia-se ao longe o grito cansado de uma buzina de alerta. Completamente deserta, a única quebra na monotonia da linha de trem eram as touceiras da margem. Ele percebia que eram diferentes umas das outras ao longo da trilha que percorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós o vemos, entretanto ele não nos notará. Está sentado em sua grande cadeira de madeira, de costas. Separando suas costas de nós há o corredor escuro, entre dois paredões de prateleiras com seus livros: seus livros são duros como granito. A única luz, débil luminosidade dos olhos de um coelho ou redemoinho de água sumindo no ralo, adentra na caverna pela única janela. O homem, imóvel, sentado em frente a ela, gravará signos imortais. Algo passa do lado de fora da janela, dividindo a paisagem plácida em duas; porém passa rápido. Mais uma vez corta a janela. É colorida – leve, pequenina, subindo incerta e frágil, mas colorida o bastante para atordoar o eterno azul celeste e o puro branco das nuvens, que balançam agora da esquerda para a direita, dois velhinhos de mãos dadas. A pipa voa. Parece que voou desde sempre, apesar de só agora a termos avistado em sua precariedade. O homem continua segurando firme seu instrumento, a escrever e reescrever sem fim importantes notícias aos homens, por isso está muito inclinado sobre o papel – o papel em branco é um mundo sem pecado original, o qual se delineará necessariamente ao correr da primeira frase, portanto é preciso ser exato e segurar seu instrumento com a mão firme que se assemelha a uma pinça. Ele move as antenas levemente para baixo e pára a refletir.&lt;br /&gt;De fato, ele á um artista, e embora não vejamos seu rosto podemos pressentir a contorção febril que transforma-o e antecede a criação. Nós sabemos que ele descreverá nossos anseios mais íntimos, por isso nos retiramos de cabeça baixa. Por pudor e reconhecimento. Lá fora estão nossos filhos, profanando o céu com poesias de papel, nos aguardando sem ansiedade alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112775808458634145?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112775808458634145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112775808458634145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775808458634145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775808458634145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/09/saltou-durante-o-intervalo-em-que-o.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112775480422120381</id><published>2005-09-26T13:09:00.000-04:00</published><updated>2005-10-31T12:06:56.410-04:00</updated><title type='text'>duas notas dissonantes</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Morro&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Tirando e espalhando. Caindo. Em cima do morro. Alto. A perna afunda. No lixo. O morro é feito dele. Puxa a perna. Pra cima. A outra. Parece marionete. Se curva. Uma cabeça. É de boneca. Borracha. Olhos azuis. Lascas. Descascando. Vasculha. Remexe. A dureza do ferro de aço de construção. A textura do papel. Um bicho morto. É o fedor. Gato. Não. Cachorro. A cabeça é grande. Uma bolsa. Documentos. sacola molhada. Pegando e comento. Pedras. Pedras que machucam os dedos. As pedras estavam debaixo de um ramo de margaridas marrons. Uma. Viva. Na pedra. Ele. Com o saco nas costas. Pára.&lt;br /&gt;Abaixa a mão. A pedra prende sua mão. A abaixa.&lt;br /&gt;Coloca em cima da flor.&lt;br /&gt;Viva.&lt;br /&gt;Segura a pedra presa ainda no chão.&lt;br /&gt;Viva.&lt;br /&gt;Depois solta.&lt;br /&gt;Devagar.&lt;br /&gt;Seria perigoso. Alguém visse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novo quarto.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vai chamar Melguibisson. O quarto? Dele vai ser encima da garage. É porisso que estamos reformando a garage. Olhe, é assim: como o teto da garage é muito alto, é assim que vamos fazer: uma lage dividindo a garage em dois – a parte debaixo continua a garage; a parte decima vai ser o quarto dele. Mas como é da garage que entra na casa, pela escadinha, precisa fazer uma outra escadinha da casa para o quarto dele. A casa fica um andar acima da garage, que fica na altura da rua. Entenda: como agora o teto da garage é um puxado do teto mesmo da casa, e vai ser repartida no meio, para o quarto do menino, da casa para o quarto vai ter uma diferença de chão de um metro, daí a escadinha. O problema é que a sala já é pequena, e uma escada vai ocupar o espaço dos móvel – acho que vou tirar a potrona – e mesmo o teto da sala vai ser na metade do quarto do menino, porisso vai ser difícil de entrar lá pela escadinha. Ah, é? Espero que o senhor consiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A maldição do marido.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No dia do casamento houve uma grande festa no vilarejo. Ela, ainda uma menina, esperou tensa pela noite de núpcias. Após a cerimônia na capela, foi levada pelos parentes do esposo ao quarto onde o casamento deveria se consumar. Era o quarto mais afastado da casa familiar. Foi indicado que se deitasse e aguardasse, pois seu marido logo viria. Ela se deitou; logo adormeceu. Despertou no meio da noite com o barulho no quarto, iluminado somente pela luz da lua. Viu então ao lado da cama um grande porco, e como se assustou, deu um grito, porém o porco lhe disse: “não é preciso, minha querida. Sou eu, seu marido, que estou nesta forma por causa de uma maldição lançada sobre mim. Devo permanecer na figura de homem apenas durante o dia; à meia-noite me transformo no que pode ver, mas ao amanhecer volto a ser homem.”A moça entristeceu-se, queria um marido completo, alguém que pudesse leva-la para passear pela praça etc. Mas no decorrer dos meses, quando o marido voltava do emprego, sempre com uma surpresa nova e o jantar que faziam juntos, ela aprendeu a contentar-se com aquela situação. Até uma certa noite quando acordou e, virando na cama, notou uma marca funda de dentes no pescoço gorduroso do marido. Escandalizou-se, mas o marido, no dia seguinte, repetia: “Nunca incentivei qualquer ilusão sua: é meu fado. Expliquei-lhe desde o inicio. Não é possível ...”. Nas noites que se seguiram o porco passou a voltar embriagado, cheirando a uma mistura de perfumes fortes. Deitava-se no tapete e adormecia. Ela chorava muito. Uma manhã antes do nascer do sol – ela já percebera como no alvorecer o porco abria sua pele para dar saída ao homem, que a apanhava do chão e guardava-a no bolso do casaco – a moça tomou-lhe a pele dobrada e a picou em mil tirinhas. Quando o primeiro raio de sol encostou no marido, este desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;( fábula albanesa (per) vertida ao português por mim)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112775480422120381?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112775480422120381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112775480422120381' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775480422120381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775480422120381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/09/duas-notas-dissonantes.html' title='duas notas dissonantes'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112775156833054707</id><published>2005-09-26T12:17:00.000-04:00</published><updated>2005-10-03T16:05:31.060-04:00</updated><title type='text'>Cláudio</title><content type='html'>No pomar.&lt;br /&gt;Eles corriam para o lugar perto do rio, onde fariam, mais tarde, a fogueira. Ele parou no meio do pomar. Estava cansado. A mangueira carregada de pequeninas flores amarelas parecia coberta por um véu. Cláudio nunca havia visto algo tão delicado como aquelas minúsculas flores presas nos talos róseos. Ao toque de uma brisa mais forte ele percebia sucessivas chuvas de florzinhas. O chão em volta da velha árvore era um lago amarelado. Ele já podia ouvir longe os gritos das primeiras brincadeiras na água. Paulo, filho do caseiro, ensinou-os provavelmente a se pendurar no galho da goiabeira e saltar no rio. Cláudio se aproximou de um ramo de flores mais baixo. Atrás desse havia outro ramo, mas neste as flores haviam se transformado em dezenas de diminutas bolinhas verdes. É o começo das mangas, exclamou, todas tão pequenas ... Deu alguns passos para trás, queria admirar a grande mangueira, seus galhos espaçados, cada talo de flores se transformaria numa constelação de bolinhas verdes. Foi novamente até o cacho com as manguinhas. Começou a ouvir os gritos dos outros.  Certamente reclamavam de sua demora, chamando-o apressados. Cláudio tocou suavemente com a ponta do dedo em uma das manguinhas. A manguinha se soltou e caiu. Ele olhou as outras minúsculas esferas do cacho, se afastando, observando os demais ramos, dos mais altos aos mais baixos. Prestando mais atenção, Cláudio viu que o chão estava forrado de pequenas esferas. Olhou para o lado do rio. À sua frente havia um abacateiro alto de casca escura, com três ou quatro bolas penduradas entre as folhas. Suas cascas eram escuras também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rio.&lt;br /&gt;Cláudio olhava repetidas vezes para Roberta, irmã de Pedro, que estava sentada distante da fogueira, encostada em uma árvore. Ela parecia triste, mas Cláudio não a conhecia, mal se falaram desde a sua chegada. Não podia ter certeza, talvez só estivesse cansada. Parecia muito triste. Seu irmão decidiu contar histórias de fantasma, e os outros ouviam atentos, emitindo risos ou murmúrios a cada novo detalhe macabro. Era uma casa velha, na beira daquele mesmo rio, Parassununga, mais para o lado do Paraná, onde um homem tinha se enforcado ... Cláudio se perguntava no que ela estaria pensando. De vez em quando Roberta traçava riscos no chão com um graveto. De onde ele estava, o desenho lembrou-lhe dois círculos, mas as sombras do fogo não ajudavam a decifrá-lo. Ela é bonita, surpreendeu-se repetindo mentalmente. Já havia visto seus olhos grandes, jabuticabas, brilhando quando ela sorriu no rio. O mergulho jogou muita água pra cima. Bonita mesmo. Pensava nestas coisas enquanto se levantava para jogar um ou outro graveto no fogo. Numa dessas vezes encontrou no chão, bem próxima às brasas, uma mariposa gorducha, de barriga para cima, se sacudindo toda. Não conseguia voar. As asas estavam queimadas. Cláudio teve pena da mariposa e tentou ajudá-la, desvirando-a com a ponta do pé, barroso. A mariposa, com o contato do pé dele, começou a se debater desesperadamente e a soltar uma água da grande bunda, se defendendo. Depois parou de se mexer. Cláudio cavou um buraquinho e enterrou-a. Quando voltou para seu lugar ao fogo, ele olhou para a arvore afastada. Roberta não estava mais lá. Dificilmente gostaria dele mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112775156833054707?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112775156833054707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112775156833054707' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775156833054707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112775156833054707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/09/cludio.html' title='Cláudio'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112733880216015021</id><published>2005-09-21T17:32:00.000-04:00</published><updated>2005-09-21T17:40:02.166-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Seu irmão precisou voltar pra Minas, provavelmente a pedido da mãe. Combinaram então que ele pegaria a bicicleta ainda de madrugada. Para isso, o irmão deixou a chave de um cadeado, que junto com uma corrente grossa, unia a bicicleta ao portão da pensão. Com o que sonhou naquela sua primeira noite após o serviço ser passado a ele, é impossível saber. E em certa medida, também inútil. Passou a noite no escuro total. Talvez nem tivesse dormido, prova isso seu virar e revirar na cama. O trato era que devia estar na oficina às dez em ponto, senão o dono pagaria a outro mecânico. Ele não sabia, mas estava com medo, seria um começo para ele, nunca tinha feito isso. Seu negócio era motor. Levantou-se mal cantaram os galos mais velhos de capoeira, que pressentem no céu da madrugada opaca o gérmen da manhã. Queria urinar, àquela hora da manhã um canto qualquer do pátio servia. Foi soltar a bicicleta e é inevitável que um outro morador da pensão à janela viesse espiar, conhecedor da viagem do padeiro do quarto número 02. Mas na neblina incerta da noite sem dúvida confundiu o vulto daquele irmão que agora desenrola o correntão com o outro, que antes assim sempre o fez.Viagens se cancelam, se prorrogam. Por isso o rapaz, ao se virar para encostar a bicicleta na parede, não vê a luz da janela acesa. Duas horas depois, já é manhã. O rapaz, irmão do padeiro, carrega a bicicleta de volta à vila. Traz a cesta cheia de pães, cobertos com um pano bordado, quiçá feito pela mãe, que está lá em Minas, aflita com algo. Ele grita. Não é a primeira vez que o faz, nem a segunda, nem a sétima. Volta a gritar o reclame do seu serviço, Oi o padero, não grosso demais como no começo, mas compassado, como o canto de um pássaro. Assim a voz suportaria melhor as horas de trabalho que se seguiriam, afinal é só o inicio do dia.&lt;br /&gt;No dia seguinte, o rapaz gritava tão bem quanto o irmão. Poucas donas-de-casa notaram a melhora, entretanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedia para que olhasse no espelho da cabeceira, a fim de que fosse refletida no espelho inclinado, atrás de nós, virava-me para vigiar e ela pensava que era tara minha, que eu queria ver seu rosto às portas de se contorcer de gozo então ela fechava o olhinho e mordia os lábios, safada, eu falava para seus peitos, safada apertadinho tesão esquecia por poucos segundos por que viera até ali com ela, porém no carro me questionava por que não conseguia enxergar, nunca conseguia ver, íamos algumas vezes por semana, havia muitos espelhos, precisava dos espelhos, ela gostava quando pedia ai faz assim, avião, abre mais as pernas, olha pra lá, queria vê-la de relance a linha do rosto e principalmente os olhos isso, cadeira de perna quebrada, por isso sorria tanto boazinha e esgarçávamos os limites isso isso de repente eu mirava-a no espelho não iria demorar, um pouquinho de lado vira, só mais um pouco, vira, eu a observo pelo espelho ai seu rosto escondido pelos cabelos eu seguro-o, com força, ela pede, safada, pra lá e pra cá seu corpo era um grande esse de safada que logo virou o tedioso temos que conversar  você tem outra não me beija não agora não não é nada disso eu fico por baixo você não me ouve quero te ver não hoje não te amo raquel ama raquel preciso te contar uma coisa contar é hã seus cabelos são um rebanho de ovelhas descendo as encostas fala logo porra te quero ver não entendi quero te ver de verdade não entendi raquel quero te ver por dentro aqui ó sou vermelha e molhada não não quero te ver por completo é louco como você é de verdade vamos fazer terapia nelson você não está esses livros estão te deixando burro raquel raquel nada de espelhos tá benzinho vou esquecer te amo tá minha sibilante você promete que não tem outra prometo vem parece que vejo um sorriso em seu rosto mas a boca extravasou e agora raquel chora abraço-a com todos os braços do mundo que foi raquel que foi acho que tô grávida porra reparando bem põe a mão raquel  em sua barriguinha saliente fico mudo e parece que agora diviso algo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112733880216015021?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112733880216015021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112733880216015021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112733880216015021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112733880216015021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/09/seu-irmo-precisou-voltar-pra-minas.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112543840581401612</id><published>2005-08-30T17:40:00.000-04:00</published><updated>2005-08-30T17:46:45.823-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Era Domingo&lt;/strong&gt;. Tomava o café-da-manhã tranqüilamente, de calcinha e chinelos. Estava cedo demais para as crianças acordarem. Aproveitei para comer o cereal delas, mas as cores na caixa, cores fortes que destacavam formas geométricas distorcidas – eram letras, eu pressentia – impediram-me de descobrir se no cereal havia chocolate. Sou alérgica a chocolate. Era bom. Hum, era bom mesmo. Caramba. Mais acostumada com a colorida embalagem, pude ler sobre uma promoção, o brinde, uma miniatura de tanque de guerra, que vinha dentro da caixa. Enfiei a mão no meio dos flocos de cereais até o fundo da caixa, mexi e remexi, e nada. Só tem picaretagem no Brasil mesmo. Enfiei novamente e senti que havia um espaço morno onde meus dedos se moviam sem tocar em nada. Por fora, o pacote não tinha nenhum furo. Cismei. Enfiei o braço todo e fui entrando cada vez mais, as orelhas já raspavam nas paredes internas da caixa, dando-me arrepios. Empolgada como uma criança, tive que fechar os olhos e a boca quando mergulhei através dos flocos de milho e algumas bolinhas vermelhas, de cereja ou morango (pelo cheiro era morango) sentindo a temperatura aumentar em meu rosto conforme chegava à passagem. Caí sentada em um lugar pequeno e pouco iluminado. Uma perna e depois outra se aproximaram de minha cabeça. “Estou debaixo da mesa, em uma cozinha”. Por sorte, a toalha da mesa quase tocava o piso. Uma voz máscula disse algo, mas não consegui entender. A situação parecia absurda – “Cadê o tanque, o brinde?”- outras vozes surgiram, e conseqüentemente, mais pernas. “Oito pernas: quatro pessoas; a não ser que alguém aí em cima seja gêmeosiamês, ou gêmeo-siamês ... mas mesmo um gêmeosiamês é uma só pessoa, não é?”. Começaram a comer animadamente. Eu reparava sem nenhum interesse nos sapatos daquelas pernas ridículas – “acho que é frango”- esforçando-me para entender uma única palavra do que diziam. Em vão. Mas pelo som de cartilagens sendo moídas, só podia ser frango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ouvi gritos atrás de mim, olhei&lt;/strong&gt; para fora e vi uma confusão, pessoas indo e vindo em direção a um homem barbado, no centro do grupo. – Uma galinha. É, ele dizia a um, não, não é pintada não, é branca. Gorda? Assim assim. Eu vi ela sim, de relance, virava-se para responder a outro, veio para cá ... – mas pelo olhar das pessoas ao redor ninguém tinha visto. “Uma galinha? O que uma galinha estaria fazendo no centro da cidade?”, eu refletia no instante em que percebi que as vozes se afastavam. Entrou um rapaz com uma pasta na mão – Alguém viu um pato passando por aqui? – Galinha, você quer dizer ..., tentei corrigi-lo. – Não, pato mesmo: o vendedor de relógios me disse que ele veio pra cá. Dissemos que não. “Esse pato deve ser muito especial”, ponderei enquanto terminava de tomar o suco, “parece que todos estão atrás dele”. De repente um tumulto na rua, duas pessoas com o tom de voz alterado discutiam, mas não pude reconhecer quem eram os envolvidos. Só depois pensei ter visto o homem barbudo do começo apontando para um homem moreno de jaqueta preta. Uma senhora, que notei, rodeara o conflito, veio sentar-se ao meu lado. Aproveitei o momento. Fiquei sabendo que os dois homens estavam discutindo porque um garantia que tinha visto uma galinha fugir pela rua; o outro jurava que era um galo. – e a senhora, indaguei simpático, o que acha? Ela me disse que se fosse um galo não se aproveitaria quase nada, no máximo faria um galo ao vinho, que é um prato muito fino e muito caro; por outro lado, uma galinha se criaria e teria-se o retorno em ovos, podendo-se matá-la, quando velha, para uma canja. Só podia ser uma galinha. Era melhor, né? A gritaria no meio do calçadão continuava. Despedi-me da senhora, paguei o suco e fui embora, ainda notando a ordem do dono da pastelaria à cozinha para prepararem “lápido a água que eu vou atlás do flango!”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112543840581401612?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112543840581401612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112543840581401612' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112543840581401612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112543840581401612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/08/era-domingo.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112413627175610162</id><published>2005-08-15T16:04:00.000-04:00</published><updated>2005-08-15T16:12:01.060-04:00</updated><title type='text'>o homem japonês</title><content type='html'>O homem japonês tem uma pequena garagem, onde vende frutas e verduras. Os produtos estão expostos em prateleiras de madeira, encostadas à parede da esquerda e da direita. No meio do salão foi montada uma banca sobre dois cavaletes. Ali se coloca tomates, cebolas, couve e repolhos. No fundo, fumando seus cigarros amarelos, senta-se em um caixote o homem japonês. De quando em quando ele se levanta e vai para a frente do negócio, apanhando em silencio um maço vazio de cigarros jogado na calçada; outras vezes, ao perceber que um passante atirou algo no chão, corre até a calçada, falando sons incompreensíveis. Recolhe o pedaço de papel – pode ser um lenço de papel, um papel de sorvete – e cuidadosamente o põem no bolso da calça parda. O homem japonês parece ter cinqüenta anos. Seus bigodes ralos, nesses momentos de irritação, lembram as costas arrepiadas dos gatos. Ele trabalha todos os dias até o anoitecer, exceto no domingo, quando fecha a quitanda na hora do almoço, saindo por uma porta nos fundos. Chega a sua casa por um corredor úmido. Deixa as chaves em cima da mesa da cozinha, senta-se na única cadeira e retira dos bolsos os pedaços de papel recolhidos durante o dia. São muitos. Coloca-os sobre a mesa, olhando-os indiferente, enquanto os espalha com o dedo indicador. Começa a dobrar os maiores, depois desfaz a dobradura e recomeça, mas dessa vez vagarosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tuca e Panda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por não saber o sexo do bichinho chamei-o de Tuca e Panda, este último nome em homenagem a um personagem de desenho animado conhecido de todos. Crolologicamente, primeiro batizei-o de Tuca, mas com o passar do tempo chamava-o e percebia que era o outro que virava o rosto para mim – notei assim a impossibilidade de nomeá-los. Para facilitar, Tuca ficou sendo o da cabeça marrom e Panda o da cabeça e peito brancos. Mas isso apenas no primeiro ano, pois passaram a trocar de pêlo constantemente, impedindo por completo sua identificação. Porém havia outro problema: como levá-los ao passeio. Tentativas frustradas mostraram-me ser esta tarefa impraticável ( um dia, no domingo, levei-os para um rápido passeio pela rua Nove de Setembro, mas Tuca empacou em uma lixeira, cheirando pateticamente, enquanto Panda teimava em seguir até o poste ... por fim, arrastei-os para dentro do quintal, indiferente a suas súplicas) por isso fui à oficina de meu tio, que é ferramenteiro, e expus-lhe o caso, de talvez ele fazer uma coleira dupla, com duplo gancho na guia em forma de ypsilon. – Não vai dar certo: acabaria em briga, disse-me. Obviamente causaria ciúmes a um a vantantagem de condizir o outro. Melhor seria, e continuou indo em direção a uma bancada no fundo do galpão, se você matasse um deles e assim mantivesse a independência do outro; apontou-me umas capsulas pequenas, que era " só misturar na água..." Mas para mim, fazer isto seria impossível, basta que eu veja como se divertem juntos, Tuca e Panda, correndo em círculos, às vezes dão saltos no ar que me impressionam ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112413627175610162?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112413627175610162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112413627175610162' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112413627175610162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112413627175610162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/08/o-homem-japons_15.html' title='o homem japonês'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112361218986422798</id><published>2005-08-09T14:21:00.000-04:00</published><updated>2005-08-09T14:34:09.916-04:00</updated><title type='text'>De repente ele se esforçava tanto</title><content type='html'>em obter um diploma, em começar uma carreira, com o mesmo empenho com que deixava de lado preocupações comuns a jovens, viagens, namoro, carro. Demonstrava ter traçado uma meta – olhava o relógio e já ia – atento às colunas econômicas dos jornais e à política internacional. Só pode ser as drogas, observavam os vizinhos quando o viam sair logo cedo de casa. Só pode ser. Os pais também não sabiam o que pensar. A mãe se aconselhava com santo Expedito, que o garoto fosse soltar pipa, correr atrás das menininhas, pintar o diabo, o que fosse!, mas que parasse com aquela encegueiração!, depois a mãe sentia pena do filho, tadinho, anda tão magrinho ...&lt;br /&gt;Ele passou no vestibular. O curso mais concorrido da faculdade mais conceituada do país. Foi contratado por uma multinacional no semestre que se seguiu, Twister, era como chamavam-no na seção. No auge do sucesso profissional decidiu conquistar um cargo público, como representante no Congresso Nacional. Elegeu-se sem dificuldade.&lt;br /&gt;A família, se sentindo há muito afastada do ilustre parente, quis fazer uma festinha de comemoração, coisa boba, só o bolo da tia Maria, para relembrar os velhos tempos ...&lt;br /&gt;Mas no dia da festa ele estava longe, sentado em uma confortável poltrona do Hotel Wunderschönes Ort, em Frankfurt. Da alta janela da suíte, ele meditava, fazendo surpreendentes analogias entre as formigas e os seres humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112361218986422798?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112361218986422798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112361218986422798' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112361218986422798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112361218986422798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/08/de-repente-ele-se-esforava-tanto.html' title='De repente ele se esforçava tanto'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112292123242395244</id><published>2005-08-01T14:13:00.000-04:00</published><updated>2005-08-01T14:42:31.993-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Entre um virar de páginas e outro&lt;/strong&gt; reparei nos passos dela pelo quarto. Algo como um som de tambor, ora apressado, ora pesado. Mas não liguei. A leitura entretinha-me há várias noites além do “você não vem?” e acho que por isso ela passou a me assediar, inicialmente com a boca na minha orelha, a lingüinha, depois senti suas mãos na braguilha e agora que abaixou minhas calças doêm-me as coxas sob seu peso enquanto se remexe cheia de gula – Srta. H. e Mário conversam na biblioteca. ai. Ele indica-lhe um grande volume vermelho, na segunda prateleira à direita – Traga aqui, por favor, você vai gostar. Às primeiras páginas, H. pensou que se tratava de uma enciclopédia comum, no entanto as figuras que separavam os capítulos traziam homens e mulheres nas posições sexuais as mais diversas. Mário colocou o livro aberto diante de H., malicioso. Queria vê-la embaraçada: “ ... o bom varão segurará sua fêmea inicialmente com desmedida força, pois é conhecido o gozo das mulheres com pancadinhas e apertos. Durante o coito, o varão viril se curvará erguendo seu (...)” – Comprei de um alfarrabista, murmurou. H. folheava aparentando desinteresse, ereta, movendo apenas o indicador e o anelar, como se fosse bater o martelo e dizer “Ordem!” – Nós poderíamos tentar, qualquer dia desses..., respondeu numa voz pausada, terminando por fechar o livro. Mário riu e tentou articular um gracejo, um gracejo simples, porém – o balançar regular de seu abdômen, pra frente e pra trás, detem-me. Vejo a sombra de sua cabeça na página, ergo mais o livro – não sei como a poltrona se reclina ( acho que ela acionou a alavanca usando o tornozelo) –, e sinto nos nós dos dedos os bicos duros de seus seios. Um breve intervalo desconexo e, recobrarei a leitura daquele ponto?, um puta esporro. Do branco original, vagamente familiar, vêm surgindo pontinhos negros que se agrupam e definem. Lá estão as palavras, as sempre-frescas, eternamente aptas a serem colhidas, esperando o sopro de uma mente para dançarem.&lt;br /&gt;Volto a ler com redobrado interesse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112292123242395244?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112292123242395244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112292123242395244' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112292123242395244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112292123242395244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/08/entre-um-virar-de-pginas-e-outro.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-112248496783671580</id><published>2005-07-27T13:21:00.000-04:00</published><updated>2005-07-27T13:22:47.843-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Gerson , meu amigo filósofo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperava por Gerson, que estava no banheiro. Observando seu quarto rigorosamente organizado – que é a imagem aproximada que eu tinha do lugar antes de tê-lo visto – penso no caráter resoluto de Gerson, sempre cético, sempre amargo, um soco na cara da vida, escarrando nas bocas que se atrevem a uma palavra de ordem. Gerson, filósofo, bom amigo. As paredes, cheias de volumes. Quantos? Impossível saber. Tamanho é o acervo que a regularidade dos livros grandes entre os livros pequenos e médios, alguns mais grossos do que outros, funciona como uma mandala, embaralhando a visão, distraindo a mente mais vigorosa – e é necessário recomeçar a contar. É um conhecimento insondável. Porém acredito que Gerson, se não os conhece a fundo, certamente já lastreou-lhes com exatidão o conteúdo. Um dos cadernos em meio àquele mar de tomos chamou minha atenção por seu aspecto de constante manuseio. Tirei-o da estante e o abri, apenas para saciar a curiosidade superficialmente. Um som surdo vindo do banheiro apressou-me. Era um mapa do centro da cidade, coberto, aqui e ali, com círculos vermelhos e negros (ouvi o ruído do trinco e coloquei o mapa de volta).&lt;br /&gt;- Pensei que tinha morrido ai dentro, disse quando o vi sair, secando as mãos na camisa.&lt;br /&gt;- Você é um otimista, A..&lt;br /&gt;Á noite fomos à choperia do Clóvis. Gerson estava realmente muito animado naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Clube&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos encontrávamos – e parece ridículo sequer iniciar o relato de outra forma – no Átila. Um grupo muito heterogêneo; em comum, uma tendência contestatória e a pretensão intelectual que se manifesta em jovens que cresceram lendo sobre Che Guevara ao som de The Doors. Freqüentemente virávamos a noite em discussões, na maioria das vezes inúteis, sobre qualquer assunto que fosse jogado sobre a mesa – sadomasoquismo, Salvador Dali, a importância dos seriados japoneses na geração de 80, canibalismo cultural: tudo, menos política; sobre política havia consenso sempre – até o instante em que o Eli se levantava, balançando uma garrafa vazia e gritando Consumatum est!, Consumatum est! e o dono do bar trazia a conta. Bons tempos.&lt;br /&gt;Numa noite Cecéu, Cláudio e Pifa chegaram juntos. Sentaram-se, olhares cruzados, sorrisinhos nervosos. Disseram ter uma idéia: formar um clube. Um clube pra quê? Pra dar voz aos nossos trabalhos, por exemplo; pra conseguir maior visibilidade … Concordei. Afinal, a perspectiva de ver todo o nosso conjunto de contos, poemas e viagens lisérgicas reunidas parecia interessante. Na noite seguinte, Cecéu trouxe um pedaço de papel. Que diabo é isso, Cecéu? Era o slogan do clube, o triplo C ( céticos, cínicos e cafajestes ) nos moldes de uma insígnia. Nas semanas seguintes foram as camisetas, as carteirinhas o manual … Continuei freqüentando o bar o suficiente – isto foi em março ou abril – para ser abordado por Cecéu. –Olha, mostrei seu material para um editor, nada grande, a casa é pequena, esta começando agora, e ele achou que se você escrevesse uns lances mais provocantes … - Do tipo?, cortei impaciente –Sei lá, pedofilia, se bem trabalhada – claro, nada explícito, Oh! – na poesia fica legal, como aquele verso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ … Sua boquita é um botão&lt;br /&gt;   em metro e meio de canteiro”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;público para isto se tem e, em todo o caso, vai fazer um puta barulho … escuta, o editor é conhecido do Gerson; disse que só vai investir se tiver possibilidade de retorno …&lt;br /&gt;Me afastei sem deixá-lo concluir, ouvindo, num canto, Pifa orientar o Manuel sobre uma nova proposta:&lt;br /&gt;“… um cara que dá um cheiro vai se identificar, é trazer à tona e esfregar na cara das pessoas o que se faz nos porões do ser humano, no submundo – algumas pessoas gostam de ser esbofeteadas, cara: ou se choca ou se excita …”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-112248496783671580?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/112248496783671580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=112248496783671580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112248496783671580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/112248496783671580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/07/gerson-meu-amigo-filsofo-esperava-por.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-111894314615827353</id><published>2005-06-16T13:29:00.000-04:00</published><updated>2005-06-16T13:32:26.163-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A mulher que buscava Algo com a ponta do dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A insaciável, depois de procurar no alto dos montes, em imagens sem rosto e no fundo de poços abandonados, passou a ir de beco em beco, aguardando ansiosamente a revelação de uma fresta num canto, a simetria em uma mancha na parede ou redemoinho de pó. Deteu-se a decifrar as vigas subterrâneas da vida.&lt;br /&gt;O contato com restos de comida e plásticos das sarjetas tornou-a mais desperta ao mundo sensível – mas o que ela buscava encontrava-se além do lodo no qual se punha a questionar o reflexo do céu – fazendo com que todo a relação direta com a realidade se tornasse intolerável. Assim, uma simples pedrinha hachurada era indício de um rio antepassado e uma clareira; uma ponta de lápis, uma semente perdida no interior da terra e do tronco que se transforma em pedra, em cadeias de referência que se desdobravam ao infinito.&lt;br /&gt;Viveu desta forma por muitos anos, apreendendo o mundo através do conhecimento pleno dos signos, sem, contudo, encontrar nada, nem sequer uma trilha absoluta, uma pegada inequívoca. Nada.&lt;br /&gt;No fim da vida teve um colapso nervoso; caiu de cama. O trato diário fazia-a encostar muito em si mesma. Nunca imaginou tantas certezas concretas ali. Com a ponta do dedo se perscrutava longamente, cada orifício e articulação. Em meio às dobras de seu corpo, ela encontrava, enfim, uma pequena centelha de satisfação. Uma satisfação morna como uma toca.&lt;br /&gt;Nesses primeiros meses, ela-coelho levantava-se cedo, caminhava até a mesa e, ainda trêmula, escrevia suas úmidas visões. Ela, a louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A caixa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-a aqui, em frente à escada. Abria-a. A princípio não consegui identificar seu conteúdo, somente após a expectativa e o impacto decorrente – somente neste momento em branco no tempo – as formas e as cores foram se delineando em minha vista. O receio ou aquele sentimentozinho que antecede o despir-se diante do espelho forçou-me a levantar e olhar distanciado para o que estava na caixa. Em primeiro plano, canetas (de várias cores, tamanhos e marcas, dentre as quais uma falsificação de mont blanc igual a que eu possui), uma caixa velha de grampos, ou seja, objetos de escritório, de algum escritório da redondeza prestes a fechar. Porém esta impressão era equivocada, pois em seguida, colados a um dos lados internos da caixa vi – ou pensei ter visto – cartões-de-natal parecidos com aqueles que compramos apressados na véspera do Natal. Um pequeno troféu aparecia por baixo de um guia de turismo e mais embaixo, no fundo da caixa, entrevia um pedaço de cartolina suja (acho que era a outra ponta da caixinha de grampos). Havia muitas outras coisas ali dentro, mas agora a única que parece ser digna de nota é o calendário antigo. Torci o pescoço e olhei a data marcada na folhinha: 14 de Maio de 1979. Foi exatamente nesta data que ... ainda não encontrei um nexo entre estas coisas – tanto delas entre si como de seu conteúdo com um possível acontecimento. Mil sugestões percorrem minha mente, saindo de diversos pontos, indo a lugares improváveis – às vezes elas se chocam no caminho e penso ver uma resposta. Mas deve ser minha imaginação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-111894314615827353?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/111894314615827353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=111894314615827353' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111894314615827353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111894314615827353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/06/mulher-que-buscava-algo-com-ponta-do.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-111654043188289704</id><published>2005-05-19T17:54:00.000-04:00</published><updated>2005-05-19T18:07:11.890-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;As laranjas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era tempo de laranjas; dentre outras coisas nunca me esquecerei desta. O sumo azedo gotejando de minha boca, uma fragrância de desolação e o Pai com a face de aço, sobranceiro. Na superfície aparentemente pacífica  daquele dia, vêem-me à mente as cascas daquela laranja ao lado da mulher nua mostrando aquilo que eu não queria ver. Eram, para minha surpresa juvenil!, incrivelmente grossas, uma sucessão de arredondamentos, calosidades, inchações – daí o motivo do ingênuo  encantamento quando me foi revelado seu interior. Era de inigualável beleza, de uma cor delicada como a carne de um peixe. Uma vez ouvi um dos sábios que moram no buraco no chão narrar a fábula do caranguejo. Dizia ele, que em um braço de rio vivia , em meio a lama densa, uma comunidade de caranguejos. Lá nasceu Nescarin, pequeno e alegre. Mas chegou o mês  da seca e vários caranguejos morreram. Para que seus parentes não fossem vítimas, Nescarin começou a arrancar com suas diminutas quelas pequenas partes de seu corpo, ao escondido do resto da colônia. Mas Nescarin percebeu que todo o grupo morreria em breve, por isso passou a distribuir pedaços de seu ventre também para os outros, pedaços cada vez maiores.  Ainda pode-se encontrar a casca oca de Nescarin na borda do mangue. Quem chegar mais perto notará dois olhos de cerâmica observando o céu. Os sábios sempre se espantam quando ouvem o final da estória; dizem que a verdade esta alí, no miolo das coisas– a laranja ainda está verde. Ele fez que sim e não me ouviu. Disse que já era época, que não queria que todo mundo dissesse, que me criou para ser homem no mundo. Pai, o que é o mundo? – O mundo é uma laranja, disse com os olhos de ferro sobre mim, que a gente tem que descascar a unha.&lt;br /&gt;Logo acima de meus ouvidos ouço vozes distantes chamarem, mas não é meu nome, é o nome de Nescarin, que querem convercer-me de ser o meu, para que, assim, eu saia do buraco e eles arranquem meu ventre. Aqui nas profundezas sinto o chão, a água é molhada e fria.&lt;br /&gt;Acho que vou meter-me no meio das pedras e esperar que essas sementes germinem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-111654043188289704?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/111654043188289704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=111654043188289704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111654043188289704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111654043188289704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/05/as-laranjas-no-era-tempo-de-laranjas.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-111541124856829831</id><published>2005-05-06T16:15:00.000-04:00</published><updated>2005-05-06T16:27:28.596-04:00</updated><title type='text'>o homem com o buraco na cabeça</title><content type='html'>O homem com o buraco na cabeça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem com o buraco na cabeça levantou-se e foi até o pequeno quarto ao lado. Acendeu a luz e caminhou até uma pilha de caixas grandes de papelão que estava num canto. Tirou a que estava no topo, depois outra, e outra – Durante o processo de retirar as caixas de um lugar e recoloca-las adiante, começa a ouvir alguns sons abafados, que progressivamente ficam mais nítidos. Na última caixa o homem se detem. Abre-a. Encontra dentro dela sete criaturinhas insignificantes; suas grandes cabeças saltam para fora em alvoroço com a aproximação do homem. Ele pega uma delas, apesar da simpatia que nutre por seus enormes olhos expressivos – pode-se dizer que não a maior , a mais bela ou a que mais se movimenta – vira-se, vai até a janela e joga-a para fora. Depois retorna a caixa aberta, fecha-a cuidadosamente para não ferir o pescoço dos seres que insistem em querer sair. Recoloca as outras caixas em cima desta, apaga a luz, sai do quarto e volta para a cama.&lt;br /&gt;O homem faz isso durante sete dias.&lt;br /&gt;No dia seguinte ao oitavo, o homem levanta-se com muita irritação – pois o barulho que vem da caixa, mesmo estando esta no cômodo ao lado sobre uma cadeira - incomodara-o durante toda a noite. Uma espécie de gemido ou arranhar contínuo se intensifica enquanto ele derruba ao acaso as caixas superiores. Já ofegante, ele chega a última. Então a abre. Ao se deparar com o que está dentro da caixa, o ruído já é tão intolerável que o obriga a colocar as mãos no pescoço, em busca de mais ar.&lt;br /&gt;Neste momento, o homem abre os olhos e percebe que não toca mais o chão. &lt;br /&gt;Vê ao longe, no cais do porto, vários barcos balançando, de cima ... para baixo.&lt;br /&gt;O homem volta a dormir para na manhã seguinte ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-111541124856829831?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/111541124856829831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=111541124856829831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111541124856829831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/111541124856829831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2005/05/o-homem-com-o-buraco-na-cabea.html' title='o homem com o buraco na cabeça'/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110331191084574104</id><published>2004-12-17T14:54:00.000-04:00</published><updated>2004-12-21T14:14:14.610-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ganhei de meu pai o favor pelas facas.&lt;br /&gt;De minha mãe, o ímpeto de devorar a vida&lt;br /&gt;com espinha e tudo.&lt;br /&gt;Provavelmente herdei de meu bisavô Kasimiro Kruscence o gosto pela pipa da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dizem que numa madrugada, ao sair pra capinar batatas ele avistou no céu uma enorme tiara&lt;br /&gt;dominando o céu - de leste a oeste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o cometa de Haley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde esse dia o velho começou a manifestar as mariposas.&lt;br /&gt;Tocava de ouvido um instrumento musical&lt;br /&gt;chamado derelin-dlin-dlin&lt;br /&gt;que ardonou de vento&lt;br /&gt;e muniu com cordas de mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só falava o dialeto dos córgos.&lt;br /&gt;Feito felpas, seus cabelos engrongonhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia foi parar no meio do bosque&lt;br /&gt;e ficou por lá&lt;br /&gt;se alimentando de bronhas, de bufa e do couro rinchado dos carrapatos&lt;br /&gt;Coroado indolente com a sua tiara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu desprezo era descomunal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110331191084574104?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110331191084574104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110331191084574104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110331191084574104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110331191084574104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/12/ganhei-de-meu-pai-o-favor-pelas-facas.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110330948578527041</id><published>2004-12-17T14:25:00.000-04:00</published><updated>2005-01-04T14:13:56.063-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Itinerário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarco movido mais pela necessidade diária&lt;br /&gt;do que pelo desejo de movimento ou comunhão.&lt;br /&gt;Se é que existe um cisco de movimento ou comunhão&lt;br /&gt;no arrastar de botas que herdamos de nossos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora me olha com cara de diafrágma.&lt;br /&gt;O homem de braço gordo dorme como um câmbio.&lt;br /&gt;O colega de boca aberta&lt;br /&gt;insinua os leucócitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento penetrar-lhes o ânimo&lt;br /&gt;descobrir,  surpreender - admirar&lt;br /&gt;a faísca&lt;br /&gt;que brilha dentro de nós&lt;br /&gt;e que impede de nos tornarmos ostra.&lt;br /&gt;Mas tanto tento, que atordoado,&lt;br /&gt;sou tropeçado pela aparência das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos juntos.&lt;br /&gt;Lado a lado por ruas tortuosas.&lt;br /&gt;Muitos são os que entram&lt;br /&gt;porém a saída e uma pra todos.&lt;br /&gt;Pode ir.&lt;br /&gt;Nesses momentos onde a dúvida é pungente&lt;br /&gt;e o em torno parece colaborar à meditação&lt;br /&gt;Vem o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ironicamente,&lt;br /&gt;antes de adormecer&lt;br /&gt;- a cabeça encostando ao vidro -&lt;br /&gt;pressinto,&lt;br /&gt;e de maneira unívoca,&lt;br /&gt;qual é o sentido primeiro e último da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sempre&lt;br /&gt;O itinerário é o da meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em homenagem a Lucio, grande colega, que me incentiva muito. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110330948578527041?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110330948578527041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110330948578527041' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110330948578527041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110330948578527041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/12/itinerrio-embarco-movido-mais-pela.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110235865402262200</id><published>2004-12-06T14:29:00.000-04:00</published><updated>2004-12-10T15:40:01.860-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Era um tempo insolúvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses inteiros, saturados de sol, poeira&lt;br /&gt;E a secura que leviava as águas&lt;br /&gt;Fizeram-me pensar no Cariri, Mangue Seco, Carrapatadas&lt;br /&gt;E outras províncias admiravelmente fiéis à Providência&lt;br /&gt;Nesta nação onde a impiedade é esplêndida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhávamos para o céu&lt;br /&gt;Mas o céu nada adivinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que,&lt;br /&gt;em uma tumultuosa madrugada,&lt;br /&gt;Grandes arroubos de nuvens e ventos furiosos&lt;br /&gt;Marcaram brutos o fim da estiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não foram poucos aqueles que se chegaram às janelas,&lt;br /&gt;Pasmos e sonolentos ao chamado do trovão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fixar em suas pupilas o átimo das resoluções titânicas do raio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o prenunciar de mais um crepúsculo,&lt;br /&gt;Num outono triste como os demais,&lt;br /&gt;Um sombra tombava trêmula no asfalto&lt;br /&gt;- banida –&lt;br /&gt;vinda daquela velha senhora&lt;br /&gt;atravessando a rua, sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quitandas, botecos, mercearias,&lt;br /&gt;O subúrbio ia baixando sua portas&lt;br /&gt;Rendido e cúmplice ao final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velha senhora – ainda no meio da pista -&lt;br /&gt;palmilhava a passos de pomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até então não havia percebido&lt;br /&gt;O veículo irascível que vinha&lt;br /&gt;Saído de alguma já escura esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O impacto levantou os pássaros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torto, o poste ficou como um estandarte&lt;br /&gt;Aos motoristas bêbados da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cima,&lt;br /&gt;a noite vigia as gentes da periferia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caprichosa ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;............................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos presos&lt;br /&gt;Olhos cor de carvão&lt;br /&gt;A intervalos, fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que se chame Ana,&lt;br /&gt;Daí a sugestão incontornável à ordinária fruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detrás do balcão, seus modos lânguidos,&lt;br /&gt;O doloroso demorar-se diante do forno e a&lt;br /&gt;inércia desafiante do pão&lt;br /&gt;Operam em mim acabrunhamento tal&lt;br /&gt;Que chego a desejar ardentemente a sublevação das massas&lt;br /&gt;Até sentir que meu peito preconizou um outro,&lt;br /&gt;Até sentir insurgir em meu rosto a mão descontrolada do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua moleza, Ana,&lt;br /&gt;Ao lidar com as facas,&lt;br /&gt;me desconsola&lt;br /&gt;- e me atrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;poemas despretensiosos desentranhados de &lt;em&gt;O cacto&lt;/em&gt; de M.B., &lt;em&gt;A Maquina do Mundo&lt;/em&gt; de C.D.A., de uma velhinha que vi de um ponto de ônibus, de uma atendente de lachonete neste sábado, de uma furibunda chuva de verão e de alguns poemas de &lt;em&gt;Lira Paulistana&lt;/em&gt; de M.A.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110235865402262200?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110235865402262200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110235865402262200' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110235865402262200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110235865402262200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/12/era-um-tempo-insolvel.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110183893508662252</id><published>2004-11-30T14:20:00.000-04:00</published><updated>2004-11-30T14:22:15.086-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas cascas das árvores&lt;br /&gt;Nas pegadas na lama&lt;br /&gt;Inerte no lençol da cama&lt;br /&gt;No bico dos seus dedos&lt;br /&gt;               Eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que me abandonaste , meu Pai, no centro da rosa-dos-ventos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peso, logo existo.&lt;br /&gt;E o mundo é um lugar incansável preso pela pata&lt;br /&gt;Imbecilidade sem que isto vista um cílio&lt;br /&gt;Um senhor não agüenta e cobre o rosto&lt;br /&gt;Digo sinto muito e sento.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110183893508662252?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110183893508662252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110183893508662252' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110183893508662252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110183893508662252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/11/i-nas-cascas-das-rvores-nas-pegadas-na.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110175678104795800</id><published>2004-11-29T15:26:00.000-04:00</published><updated>2004-12-06T14:49:56.120-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que não invento é falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inércia é o meu ato principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pudor sou impuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso do fim para chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lugar onde estou já fui embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Obra de autoria de Manoel de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Barros.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110175678104795800?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110175678104795800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110175678104795800' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110175678104795800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110175678104795800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/11/com-pedaos-de-mim-eu-monto-um-ser.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-110088948457950038</id><published>2004-11-19T14:00:00.000-04:00</published><updated>2004-11-19T14:38:04.580-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Brenhas de amor e pirilampos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos são ásperos como as ondas&lt;br /&gt;Esbarram em mim – indiferentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constantemente&lt;br /&gt;Recolhendo a rede à praia&lt;br /&gt;Só encontro pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através de seus pátios de marfim&lt;br /&gt;Vagavam meus dedos, docemente ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peregrinos lábios, entre Meca e vós&lt;br /&gt;Houve um grande gesto de comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente&lt;br /&gt;Quando encostei no chão a boca&lt;br /&gt;Quase a tive entre os dentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ Letra para baixo, bateria e guitarra: (o bumbo é um juízo-final) ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suave nuvem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vagar sobre mim assim,&lt;br /&gt;Desdenhosa e curva&lt;br /&gt;Faz-me afagos bem de leve&lt;br /&gt;ai umedece minha pele&lt;br /&gt;Como se fosse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma vasta sombra vem do oeste,&lt;br /&gt;                                 encobre um vale, outro, e – pouco a pouco –&lt;br /&gt;Passa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         ...desdenhosa  &lt;br /&gt;curva ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma lua crescente&lt;br /&gt;E você&lt;br /&gt;Ainda&lt;br /&gt;Ausente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em setembro as roseiras vão secando&lt;br /&gt;Sem um único Agnus Dei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num aconchego bom assim,&lt;br /&gt;morno assim&lt;br /&gt;Como num nimbo denso e profundo,&lt;br /&gt;Somos só nuances&lt;br /&gt;- num umbigo: se amando -&lt;br /&gt;Sons amalgamados,&lt;br /&gt;Se amando,&lt;br /&gt;lentos, moles, ermos,&lt;br /&gt;se a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;. . .  hum&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui ouvimos longínquo o rumor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuas ondulante como sempre&lt;br /&gt;Descuidado, sigo descalço pelos corais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que busco&lt;br /&gt;Jaz oculto, submerso em seus olhares&lt;br /&gt;- a pérola da compaixão –&lt;br /&gt;Veja como brilha!, diria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é demais a dureza das ostras.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-110088948457950038?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/110088948457950038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=110088948457950038' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110088948457950038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/110088948457950038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/11/brenhas-de-amor-e-pirilampos.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109994724012801816</id><published>2004-11-08T17:42:00.000-04:00</published><updated>2004-11-08T16:56:21.580-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Guardas ainda a quentura do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porquê ao te ver tão calmamente deitada&lt;br /&gt;Dou a pensar nas santas de casta vida&lt;br /&gt;E nas revoluções que irrompem de repente &lt;br /&gt;                                           &lt;br /&gt;                                    erradicando as dinastias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da janela, no céu&lt;br /&gt;O sereno âmbar da noite vai se desvanecendo&lt;br /&gt;Suave como um lençol que cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu vértice,&lt;br /&gt;Fulgura enigmática a lua minguante&lt;br /&gt;Tendo a um lado a face clara&lt;br /&gt;E o infinito cosmos, mais adiante ... &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109994724012801816?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109994724012801816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109994724012801816' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109994724012801816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109994724012801816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/11/guardas-ainda-quentura-do-dia.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109960210245358353</id><published>2004-11-04T17:59:00.000-04:00</published><updated>2004-11-04T17:04:27.133-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A casa fica tão vazia sem você &lt;br /&gt;A geladeira fica tão cheia&lt;br /&gt;Enfim posso ouvir ... (suspiros)&lt;br /&gt;Meu Pink Floyd sozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109960210245358353?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109960210245358353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109960210245358353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109960210245358353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109960210245358353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/11/casa-fica-to-vazia-sem-voc-geladeira.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109873443457207338</id><published>2004-10-25T16:00:00.000-04:00</published><updated>2004-11-04T17:08:38.170-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.tijolosamarelos.blogspot.com/"&gt;oneofthesedays&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                           &lt;strong&gt;Adriana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adriana, meiga no gesto e na palavra&lt;br /&gt;não foi honrada com faixa de rendas &lt;br /&gt;                                          e lantejoulas doiradas&lt;br /&gt;Nas quermesses de Nossa Senhora da Graça&lt;br /&gt;                               &lt;br /&gt; Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os palhaços e as suicídas nutriam cuidados por ela&lt;br /&gt;se afligiam por ela&lt;br /&gt;como nos angustiamos ao ver uma criança lambendo um sorvete de bolas  &lt;br /&gt;cuja cobertura &lt;br /&gt;escorre pelas bordas&lt;br /&gt;até seus dedos incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Drica entrou em minha vida&lt;br /&gt;trouxe consigo apenas uma bolsa&lt;br /&gt;- uma bolsa pequenina, rota e gasta como um banco de praça -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até aquela noite,&lt;br /&gt;Só os palhaços e as suicidas em potencial sabiam&lt;br /&gt;O quanto a bolsa exígua de Drica era pródiga em benevolências &lt;br /&gt;trique-traques, charadinhas de se dizer ao pé d'ouvido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109873443457207338?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109873443457207338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109873443457207338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109873443457207338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109873443457207338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/10/oneofthesedays-adriana-adriana-meiga.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109873259147043059</id><published>2004-10-25T15:29:00.001-04:00</published><updated>2004-10-25T15:29:51.470-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://www.oltijosamarelos.blogspot.com/"&gt;oneofthesedays&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109873259147043059?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109873259147043059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109873259147043059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109873258746139065?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109873258746139065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109873258746139065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109873258746139065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109873258746139065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/10/oneofthesedays_25.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109629906896715315</id><published>2004-09-27T11:26:00.000-04:00</published><updated>2004-09-28T16:56:24.283-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Alice&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mulher é um tesão de simplicidade&lt;br /&gt;Não gargalha alto&lt;br /&gt;Não grita&lt;br /&gt;Nunca reclama da vida.&lt;br /&gt;Tenho numa gaveta todos os seus discos livros e fitas.&lt;br /&gt;Tenho sua vida do início ao fim,&lt;br /&gt;Na cor das suas roupas ao final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice?&lt;br /&gt;Quem a conhece melhor do que eu?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109629906896715315?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109629906896715315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109629906896715315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109629906896715315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109629906896715315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/09/alice-minha-mulher-um-teso-de.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109629848312597569</id><published>2004-09-27T10:59:00.000-04:00</published><updated>2004-09-27T11:21:23.126-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dizem que finjo e minto&lt;br /&gt;É verdade&lt;br /&gt;Faço versos como quem rouba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recolho metáforas do chão sujo&lt;br /&gt;pelas alamedas, terrenos baldios, ruas sem-saída&lt;br /&gt;Onde houver lugar para o pesar e pensamento escuso&lt;br /&gt;ali me verão passar algum dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trafico rimas nos semáforos&lt;br /&gt;E meus dísdicos mais compridos&lt;br /&gt;ofereço como baguete para os mendigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo imponderavelmente ásperos dos meus versos duros&lt;br /&gt;dou pra quem anda de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sonetos não são um alento&lt;br /&gt;para as garotas de faces negras,  tão redundantes&lt;br /&gt;no centro desta cidade tentacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um verso não serve para nada além de enganar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida bovina,&lt;br /&gt;o que não seria eu sem ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua consistência argilosa&lt;br /&gt;aliso aliso, canso, manso e rude aliso&lt;br /&gt;És um enigma que diariamente pratico.&lt;br /&gt;Chego perto; Vês?&lt;br /&gt;- Um espelho: não vejo nada&lt;br /&gt;Parto a mim mesmo numa miríades de nadas&lt;br /&gt;Ao sol, os fragmentos faiscam feito foices&lt;br /&gt;São os fatos, meu deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me curvarei jamais!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109629848312597569?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109629848312597569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109629848312597569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109629848312597569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109629848312597569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/09/dizem-que-finjo-e-minto-verdade-fao.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109537232052109325</id><published>2004-09-16T18:01:00.000-04:00</published><updated>2004-09-16T18:05:20.523-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'> Guia prático para o pequeno homem-da-casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos após o divórcio da minha mãe, comecei a considerar-me, se não um perito na identificação de seus pretendentes no meio das pessoas que freqüentam a casa, pelo menos um conhecedor dos artifícios usados por eles no delicado processo de adentrar a nossa família. &lt;br /&gt;A tarefa de ser admitido no lar desse pós-adolescente neurótico que vos fala, pede, obviamente, o empenho do pretendente. Desde já o chamaremos de Pretendente Padrão.&lt;br /&gt;O primeiro ato dele será parecer descente aos olhos dos familiares da pretendida.&lt;br /&gt; Então, num belo domingo você, caro leitor modelo que vivencia esta realidade, Pa!, abre a porta e dá de fuças com um sujeitinho vestido-se com pretensão. Ele lhe oferta um sorriso simpático, como um buquê de margaridas. Este é o ponto. A partir daqui tudo será decidido na relação entre vocês: aceitar ou não as margaridas de plástico. Parece fácil ser doce com esta pobre criatura. Mas não o é. Acreditem, com o passar dos dias as flores – já na cozinha – começam a feder. E você ali. O cheiro podre dominando suas narinas. Amarelo intenso : boquiaberto. Você ali mal contendo os enjôos. O mal-estar aumentando. Os espasmos mostram que você esta ali: flores mortas. É por isso que à porta, no momento decisivo escolho ops como sou desastrado pisar sobre o sorriso do Pretendente Padrão. Esta é uma atitude que, ao menos, pode purificar o ar onde quer que você esteja.&lt;br /&gt;Se ainda assim, e eu sei como os canalhas conseguem ter cara-de-pau, ele, o Pretendente, recolher as flores da bancada a tempo, tal qual um florista que prevê chuva forte, ser paciente é o melhor a fazer.&lt;br /&gt;Nos próximos dias é provável haver uma certa inquietude nos gestos dele – a mão do tamanho do mundo incomodando tanto, no bolso, na mesa, cintura joelho canela ... &lt;br /&gt;Na sutil cerimônia de aproximação entre as figuras masculinas envolvidas, cada passo é incerto. Como na quadrilha. A ponte quebrou! Uh! È mentira! Olha a cobra! Uh! É mentira, Eh! Mariodeandradismos à parte, a tática seguinte do Pretendente será conquistar sua simpatia. Conquistar e dividir. &lt;br /&gt;Há diversos modos de faze-lo. Neste instante me ocorre um: se você gosta de música, e ele sabe tocar algum instrumento ( violão, rabeca, acordeão, serrote, não importa),  o Pretendente fará o possível para cativar-lhe através disso. Aconteceu algo parecido comigo. É uma artimanha simples. Se você se interessa por futebol, ele te oferece olha só ingressos para o jogaço do Timão !; se você é ligado em internet, ele, o obtuso, falará horas sobre o assunto, ou, humildemente manifestará sua ignorância dando o espaço que você precisa para demonstrar quanto conhecimento você possui. Ele, o técnico de iluminação, e o palco é todo seu.&lt;br /&gt;Mas é claro que você pode negar qualquer envolvimento com ele, o ignóbil.&lt;br /&gt;No ultimo degrau da escada rumo a captação de sua benevolência, o Pretendente Padrão apela para o discurso direto. Tó, coma um destes queijinhos, tua mãe falou que você gosta tanto ... Ah! Não é brincadeira. É o pateta segurando um prato azul de vidro cheio de polenguinhos ( que em outra situação seriam devorados por você). Ele me lembra um cavaleiro medieval de mãos juntas, ajoelhado diante do trono do pequeno homem-da-casa. – Rex, servvs svo svm, tvam benedictam manvm obsecro.&lt;br /&gt;A velha vassalagem de sempre ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jefferson é desempregado ambulante, colecionador de pedra em formato de sapo, viciado desde os treze anos em bruma, escritor de textos friccionais, desviginapto para algos, e de vez em quando escreve aqui.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109537232052109325?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109537232052109325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109537232052109325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109537232052109325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109537232052109325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/09/guia-prtico-para-o-pequeno-homem-da.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109389468785127356</id><published>2004-08-30T15:21:00.000-04:00</published><updated>2004-08-30T15:38:07.850-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A pedidos, resolvi dar um tom mais orgânico ao blog. E como este fenômeno de transformar o blog num muro de lamentações se dissemina cada vez mais, conterei-me. Tenho meus motivos. Começo pela resposta à proposta do meu camará Jefferson Henrique. Sua idéia sobre o livro é muito interessante, principalmente por termos características (morais, intelectuais, afetivas, literárias etc.) próprias. Talvez possamos usar um blog para compor o projeto. O importante, ao mer ver, é não admitirmos chavões, e tentarmos fazer o lance de modo ao estilo &lt;strong&gt;tender&lt;/strong&gt; a homogeneidade, o que já é bem difícil. Sem mais, precisamos decidir direito as "regras do jogo". Seria legal começar no dia 7 de setembro? É uma pergunta retórica ...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109389468785127356?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109389468785127356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109389468785127356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109389468785127356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109389468785127356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/08/pedidos-resolvi-dar-um-tom-mais.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-109389364484488137</id><published>2004-08-30T15:17:00.000-04:00</published><updated>2004-08-30T15:20:44.846-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ao seu lado seu frágil passarinho&lt;br /&gt;acuado no cu do ninho&lt;br /&gt;de bico extravazando as bordas&lt;br /&gt;- a goela amostra raspa suas palpebras -&lt;br /&gt;e você endeda uma minhoca bem no alto ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escandalizadamente&lt;br /&gt;o quente da goela quer te tentacular.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-109389364484488137?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/109389364484488137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=109389364484488137' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109389364484488137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/109389364484488137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/08/ao-seu-lado-seu-frgil-passarinho.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-108672190948215791</id><published>2004-06-08T15:07:00.000-04:00</published><updated>2004-07-14T13:01:17.516-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Da criação (vers. II)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Compassos. Na esquina dobrada, numa rua daquela cidade, passava um rapaz com sua flauta mágica. Não era Mozart. Seria um nome ridículo para alguém no seu ofício. Era Ivanhoé. Professor. Sobretudo nas noites frias, as mulheres vazias desejavam o flautear de Ivanhoé, e Ivanhoé, que não era um cara mesquinho, saia, assim, depois do expediente, flauteando pelas ruas do sem-fim. Os mendigos –  acordados pelo doce som – logo se punham a bailar, alguns até puxando ratos como parceiros, desenhando cirandas. Após estas algazarras, Ivanhoé recebia uns trocados dos mendigos, uns tapinhas cordiais dos ratos, e se ia embora. Gastava o resto do asfalto até sua casa em serenetas serenas. A chegada em sua cozinha era silenciosa – Guten Abend, Herzlich. – Guten Abend, Ivanhoé, wie geht’s? – Ich bin prima. Iss! – Ele se afastava do aquário com o pote de comida para peixes nas mãos, guardava-o no armário sobre a pia, entre a caixa de gergelim e os enlatados de milho. Pegava em seguida a aveia; na geladeira, o leite. Misturava tudo numa tigela amarela. Á mesa, já sentado, olhando para o vazio num sustenido constante, enquanto escorria um fio de leite do canto de sua boca, Ivanhoé pensava em mim, Amanda. &lt;br /&gt;Sei disso porque eu sou Ivanhoé.&lt;br /&gt;Rápido me acostumei com os estranhos volumes e os pêlos no tórax: resumidamente é como ser seu próprio gato. Aliás, durante semanas e semanas convivi em Ivanhoé. Cada gesto melodioso, cada gosto, cada suspirar e demonstração súbita de ira. Lá estava eu. Cada agenda, lista, cada staccato diante de insignificâncias. Ali eu estava. Na cor das camisas, no jeito de amarrar os cadarços pra trás pra cima volta e puxa. Em cada livro disco e segredo culinário de família. Ivanhoé era um homem perfeito par uma garota de olhos grandes e cabelos pretos como eu. Ele sabia me tocar por dentro como ninguém ousaria.&lt;br /&gt;Mas, dia após dia Ivanhoé autoditava-se mais.&lt;br /&gt;No primeiro daqueles dias, ele acordou com um gosto de mucosa na boca. Foi para o banheiro, trôpego. Mijou fora da privada, tudo bem, não tem problema, é a primeira vez em anos, ponderei ingenuamente. Depois do almoço, jogou os legumes (que nem tocara) dentro do aquário do Herzlich. Levantei de leve os olhos do livro que lia. Ao anoitecer, Ivanhoé abriu uma garrava de Scotch que estava escondida atrás do guarda-roupa e tomou um porre, sentado num canto, vendo seu rosto no espelho.&lt;br /&gt;Desse dia em diante, Ivanhoé começou a fumar e praguejava o dia todo. Ai eu já nem disfarçava o biquinho ao passar pela porta do seu quarto. Rasgou todos os posters do Win Wenders; numa tarde quente queimou todos os seus livros de filosofia. Na época, todos da escola não o suportavam mais. Não telefonava para sua mãe. Pegou o hábito de ir para o cinema quando queria dormir com alguém. De comprar cd’s do Dylan e não ouvi-los. A flauta enferrujava debaixo da cama. Emagreceu. Embarbeceu.&lt;br /&gt;Na ultima lua minguante Ivanhoé comprou uma forte corda, pendurou-a, serrou o pé da cadeira – ele queria aprender a dançar tango – nesse instante, porém, alguém bateu à porta. Seria ela? Com um salto Ivanhoé abriu a porta e lá estava ela. Ele a amava repentinamente. A vadia de olhos pretos e cabelos grandes chamada Amanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela trazia um macarrão pré-pronto e uma coca para jantarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O livro dos mortos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o trem partia atrás de si na plataforma, ele desviava os olhos da mulher do outdoor do pequeno de costas grandes e sobremaneira das próprias mãos. O gancho é limpo com esmero.&lt;br /&gt;Sai, atravessa rápido as ruas, cortando pernas e precipitando desencontros. A amorfidade humana estirada na calçada impede-lhe o salto. Obliquo, ele observa os lírios do campo – um aro comprido e fino sobe-lhe o reto, e desce, em etapas, trazendo o crescente fértil. Mais leve, ele passa.&lt;br /&gt;Um acidente.&lt;br /&gt;Gritos, braços que não podem ser contidos, cabeças distorcidas, choro: A Guernica urbana de cada dia. Enfim, a esquina. O que seria dos homens se não fosse a perspectiva das esquinas ... O céu como ponto de fuga universal para os que estão abaixo do Sol. Milagrosamente há o céu. Ele compra mirra, canela e azeite. Na portaria, o irmão morto: relevar, pois relevar é preciso. Seguir pelas canaletas subterrâneas como os outros homens mudos – para longe da cova dos leões, a procura de dentes-de-leão.&lt;br /&gt;Telefonemas ininterruptos, reuniões acaloradas, cifras quilométricas. As costas foram costuradas com tripas, o ventre já está cheio de sândalo agora.&lt;br /&gt;Crianças.&lt;br /&gt;Esposa.&lt;br /&gt;Jantar.&lt;br /&gt;Os cantos vazios do ser:&lt;br /&gt;Os gatos, Íris, o ópio e os potes de barro.&lt;br /&gt;O silêncio é o sal; a solidão, o sudário. Em honra de Anúbis, o cigarro queima. A reza gasta no manipular das contas, murmúrios que caem dos lábios como mangas podres. Veja os pássaros, ele diz para si, veja os pássaros seu burro escroto do caralho &lt;br /&gt;A mulher de costas e com as mãos nos ouvidos prepara o sono.&lt;br /&gt;Forçosamente, ele agacha-se atrás dela e repousa. Ela vira-se, beija. Afasta-se para a beira da cama como um obelisco caído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minutos milhões de patas partem do interior de sua garganta num ritmo vertiginoso – a lacraia nasce intacta e brilha&lt;br /&gt;: chamar-se-á Kabta, Nossa Melhor Parte, a ungida, a imaculadabjeta                                                     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N-O-S-S-A-M-E-L-H-O-R-P-A-R-T-E&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Penso em quando isto vai acabar. Do lado oposto desse rio, há aquele homem guardando o ponto mais recuado deles. O rosto, eu não conheço, nunca o vi. Apenas o movimento do cigarro na madrugada, vai e vem. Um acente-apaga indiferente. Que arma ele carrega? Sei que é um como eu, mesmo à distância, tendo esse grande rio congelado nos separando. Será um fuzil PK42, ou um lança granadas daqueles que eles usam contra aviões? Teria pouca utilidade contra um só homem. Uma PK42, ao contrário, seria muito eficiente se fosse usada por um soldado treinado. Já vi matarem centenas numa aldeia, com uma delas. De qualquer forma, sua munição é cara; acho que não entregariam-na para um guarda-fronteira de um fim-de-mundo como este. Como faz frio esta noite, companheiro! – há, há, - também lhe deram algum cobertor imundo fedendo a bosta de vaca?, e o café?, tem o mesmo gosto de merda, como o meu?,&lt;br /&gt;Margô fazia um ótimo café aos domingos, quando voltávamos do parque. As cartas dizem que ... que? disparos ...? O camarada tem alguma pequena?; longe desse lugar deserto cercado de neve, deve haver alguém em quem pensa além de ... é só uma coruja, xô, xô! Diabos, o cigarro da divisão acabou. Está frio, não é mesmo? Estará pensando em dormir depois de ter visto-me sair da casamata,idiota, assustado com uma coruja? Há, há, uma corujinha de nada ... Já está na hora? ainda é cedo... Será do tipo que raciocina, camarada do-outro-lado? È sério ou do tipo que dorme em cima do fuzil e acorda com um tiro nas coxas? Há,há,há, essa do tiro nas coxas foi boa, seria engraçado de se ver - &lt;br /&gt;Agora, depois do cigarro. Isso isso a luz chegando como um vaga-lume do oeste. Eu te invejo, meu camarada, esse cigarro deve estar te fazendo lamber os beiços, a saliva se encorpando ... Eu te mataria por seus cigarros, meu camarada. Esse frio maldito, essa guerra estúpida, a casamata cheirando a urina, a noite que não termina nunca – meses meses sozinho , é isso, te mataria.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado oposto do rio, o outro soldado acabara de fumar e preparava-se para  se deitar numa rede, mas um estrondo vindo da casamata na margem inimiga corta a fronteira e o faz pegar em sua arma.&lt;br /&gt;É um estridente berro de boa noite.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das Mil e uma noites&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ahafaa, o cavalo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que Ahafaa, o Vento leste, a Maravilha negra, a Jóia da Anatólia, de repente adoeceu.&lt;br /&gt;Seu maior admirador, o sultão, procurou os mais doutos nas artes da cura. Xamãs da Mongólia, brâmanes de Bombaim, filosófos persas, cirurgiões tibetanos, ninguém dera resposta às dores do animal até que um garoto das estrebarias ousou - Por que não o soltam? - assim se fez e a comitiva real passou a seguir Ahafaa. &lt;br /&gt;Correram-se areias, neves e línguas sob as estrelas. Comeram-se os camelos em tiras cada vez mais finas - logo os perseguidores venderiam seus anéis para comprar água, trocariam seus brincos por lenha, seus colares por raízes: venderiam até a pele grossa de seus pés. Ahafaa nunca parou.&lt;br /&gt;No fim de um doloroso prado avistaram pela última oportunidade Ahafaa.&lt;br /&gt;Conta-se que abruptamente o cavalo encontrou sal e caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O diário de Sócrates I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas&lt;br /&gt;Durante sete vezes sete anos Douglas trabalhara ali. Durante todo esse tempo nunca conhecera outros domínios que extrapolassem a comarca da sua escrivaninha estéril, com seus planaltos de formulários áridos e desertos de clips. Praticamente apodrecia ali. Sei que parece repugnante a idéia, mas realmente Douglas nasceu ali.&lt;br /&gt;Não. Esta cara de asco de vocês nada me diz - uma pessoa que foi concebida e criada encerrada dentro de um escritório, com certeza é algo absurdo, assim como a decorrente consideração de chamar por Mamãe a um mimeógrafo, mesmo que tal máquina o tenha ninado por tanto tempo com cantigas em duas vias.&lt;br /&gt;No entanto assim foi.&lt;br /&gt;Douglas, crescendo ano após ano, depois envelhecendo, dia após dia, olhava com medo para os vultos que passavam atrás da persiana; as vozes no corredor detrás da porta obrigavam-no a se deitas de bruços em seu catre de rascunhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passar das crises econômicas fez de Douglas um prolongamento da seção, ponderavam os donos que sucessivamente apareciam. Sabem, como uma velha cadeira giratória, uma mesa grande, um balde no armário de vassouras etc, etc, etc.&lt;br /&gt;Bom, como todo bom escravo, Douglas precisava de comida - o que era o desconsolo de todos os seus patrões, mas sobretudo do atual, Augusto.&lt;br /&gt;Assim, então, no meio de cada miserável dia de labuta moura - exatamente no meio - Douglas reclamava por sua marmitex e a recebia com salamaleques faciais que dir-se-ia serem um sorriso.&lt;br /&gt;Durante sete vezes sete anos assim fora.&lt;br /&gt;Mas um dia ( não me lembro bem quando), Douglas esperava aquele momento supremo de gozo ( a hora do rango) e nada aconteceu. havia uma foca. Não, não estou exagerando, absolutamente nem uma mosca se moveu. Se não fosse a desbendita torneira do banheiro a repingar, Douglas acreditaria que o mundo parou de vez. Aqui cabe um pequeno parênteses   ( Para alguém que foi enclausurado desde a mais tenra infância, a perspectiva de um Apocalípse é muito atraente, e talvez seja esse pensamento que passe na cabeça de Douglas neste momento, daí o que fará agora). Se preparava para fazer aquilo que todos fazem quando não há ninguém por perto - sim, era uma catota* enorme lhe incomodando por anos! - mas havia a fome, Ó, A Fome!&lt;br /&gt;Desabaladamente, Douglas foi abrir a porta que durante toda sua vida bovina lhe fora negada, abriu e saiu.&lt;br /&gt;Algo de cáustico acariciou-lhe a face.&lt;br /&gt;O Branco.&lt;br /&gt;Não havia nada lá fora. Só. O Branco.&lt;br /&gt;Inexorável. Incorrompível. Um Branco longínquo. Um Branco devasso colado em sua retina.&lt;br /&gt;Um Branco mongólico.&lt;br /&gt;Só.&lt;br /&gt;O.&lt;br /&gt;Bran.&lt;br /&gt;Co. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Mas havia a fome, Ó, A Fome!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Pedra nasal; também na variante catóta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O diário de Sócrates II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O profeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sabida a história do profeta que era capaz de ver o futuro no vôo dos pássaros. Relatos do período nos dizem que o santo-homem percorria as vilas ofertando seu dom ao gentil povo em palavras adocicadas. A um camponês, certa feita, previu a multiplicação da rês, a outro, fartura no rastro do arado. Em Palas, um homem público abordou ao vate, e este, após observar o vôo de um pardal, expôs que em um prazo de dois dias aquele senador receberia dois mil talentos como herança, fato que viria a ocorrer e maravilhar a todos.&lt;br /&gt;Diante disso, as pessoas passaram a procurá-lo, uma turba seguia sua cabeça sempre erguida para o céu. A fama passou a antecedê-lo aonde quer que buscasse parada, o que , todavia, fazia com menor frequência.&lt;br /&gt;Começou a afastar-se dos vilarejos, queria os ermos, cruzando às vezes determinada campina incessantemente, até voltar ao local da partida, dias antes. Abstinha-se já de roupagem e comida. Delirava. Os pés sangravam em gretas e granizos, porém nada o detinha. A multidão de fiéis, acreditando ser isso prova da natureza divina do homem, que provavelmente os levaria a um lugar sagrado, livres da opressão e da dor, deixava-se apenas conduzir. Foi quando, num crepúsculo de outono, avistaram a sombra do profeta se arrastando em direção ao despenhadeiro. Ao despencar o santo nos dentes de pedra do mar, muitos se escandalizaram, e houve gritos de pavor de não se ouvir mais coisa alguma.&lt;br /&gt;Por fim, alguns ainda se atreveriam a tomar-lhe o exemplo, e cairam, relembrando o passo seguro que conduziu o mestre à morte. Mas com o passar dos momentos, a maioria das pessoas não via vantagem no ato e retornava a suas vilas.&lt;br /&gt;Nenhum deles sabia, mas há anos os olhos do homem não viam nada além de fezes de aves.&lt;br /&gt;Sobre o santo-homem, dizem que se chamava Egeu, o Prudente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O diário de Sócrates III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez, além do reino não-civilizado do Eldorado, um pouco acima dos portões de Shangri-la, uma cidade encantada chamada Pineapple. "As ruas", como diria um messias recentemente morto por uma esmola, eram "feitas de ouro e os postes de esmeraldas". Havia, naquelas praças, fontes de água mineral e não é de se estranhar que a qualquer hora você pudesse encontrar um famoso curandeiro ou um ex-ditador saindo do Theatro. &lt;br /&gt;Quase não havia miséria por lá.&lt;br /&gt;Os mendigos, ou eram profetas ou cineastas fracassados. Em alguns casos eram os dois. Os coletores de impostos eram esquimós e o próprio prefeito era um guerreiro sumério com várias chacinas nas costas. Garotos pobres montavam bandas de rock e ganhavam rios de dinheiro e filhos para tomá-lo. As prostitutas faziam crediário. Os traficantes vendiam asas de cera em cinco cores e tamanhos diferentes. A cidade respirava magia, o que posso dizer? Todavia, não havia bruxas por lá, só maçãs, doces e vermelhas, doces e quentes, irrompendo debaixo de pontes de cristal ou no alto de edifícios de caramelo. De repente.&lt;br /&gt;E exceto pelo porão dos Smith, não existia maldade por ali.&lt;br /&gt;Ali morava um Demônio.&lt;br /&gt;Ali, e não é de se estranhar de encontrá-lo ali, vivia Al-terror, e Ali-babava na escuridão.&lt;br /&gt;No Dia-da-Grande-Forca (feriado nacional) os Smith recebiam um grande coala recheado. Orava-se pela saúde do rei, para que as crianças fossem para a cama no horário, para que os aviões não parassem de ser fabricados, para que os visigodos não ultrapassassem as fronteiras. E principalmente, meu Deus, que aquele som vindo da T.V. não passasse de um fusível, só um fusível. Amém.&lt;br /&gt;No dia seguinte a mãe jogava os restos no porão para que o Demônio (que fazia as crianças tremerem e irem para a cama) desputasse os ossos com alguns niños que lavavam os pratos, depois ela ligava sua abóbora conversível e ia trabalhar no Consulado das fadas. Sim, lá as mulheres trabalhavam fora, ainda por cima. &lt;br /&gt;Posted by: jefferson / 7:48 AM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O diário de Sócrates IV&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pedro e a Lâmpada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa daquelas esquinas da Doutor Arnaldo, debaixo do outdoor da Renoult, vive Pedro. &lt;br /&gt;Pedro costuma sonhar com um pescador de peixes-espadas de aço e barbatanas de alumínio brilhante. Relusente. Não adianta nem dizer, para Pedro, Hemingway é uma marca de maionese, ele não sabe sonhar, tadinho, mas depois de fazê-lo ele então acorda devagarinho com os olhos cheios d'água - O CO2 desvirgina cedo a aurora - e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às quintas e domingos pela manhã, podemos encontrar Pedro atrás da Casa Brasil, raspando o fundo de um tonel de lixo com uma espátula cuidadosamente improvisada. Os cães já sabem quando o vêem de olhos claros mastigando alguma cartilagem: é natal para Pedro. - Hí, Hí, Hí, Ananias... - ( era Pedro rindo do faxineiro do restaurante, Ananias, chegando tarde como sempre).&lt;br /&gt;Feliz, entretanto, está Pedro quando passa a noite se contorcendo no caixote podre, se revirando de gozo e aflição, girando, como a abóboda celeste sobre a sua cabeça negra. No estômago sem estrelas de Pedro só existem unhas postiças que estavam na poça fétida onde bebera. Lindas lascas vermelhas estralando no fundo preto de Pedro - e ele sorri ( como sempre ).&lt;br /&gt;Misteriosamente, certo dia Pedro parou de assoviar com os lábios rachados a melodia que ele não sabia mas era satisfaction. Cotucou o cucuruco quando terminou de vasculhar o lixo do casarão. Apesar da madrugada, certamente era uma bela lâmpada mágica ali. Ninguém. Não sabemos direito como foi parar lá, mas havia lençois limpos, água quente, mulheres, mulheres que tomavam banho e faziam café-da-manhã. Manhã. Seus olhos rodavam nas orbitas por toda a superfície dourada angustiosamente. Relusente. Segurava-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Horas mais tarde, e o homem semidesperto do Ferro-velho mal podia acreditar que houvesse coisa tão bela no mundo, Pedro chupava o maior sorvete de morango que podia caber num pote de margarina.)&lt;br /&gt;Só era segunda-feira e tinha que se-virar com aquilo até a próxima quinta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A água&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou jornalista. Mas até onde ela me contou, tudo que sei é que isto começou com o insólito caso dos gatos. É provável que mesmo depois de relatada a questão, não fique claro o motivo que levaram-nos a sumir da cidade. Como uma inversão na ordem natural das coisa, do dia para a noite, todos fugiram. &lt;br /&gt;Só então os ratos apareceram.&lt;br /&gt;Milhares.&lt;br /&gt;Uma cascata inquieta deles atropelou os aposentados nas calçadas, saindo dos becos, dos bueiros, latrinas e sacos de aniagem, ninhadas inteiras saquearam as ruas. &lt;br /&gt;Seguiam para o poente, não sei aonde. Chile, talvez. &lt;br /&gt;Corriam, e isso eu sei, de uma ligeira, tenuíssima película de água de vagar devagar que avançava, tomando as primeiras ruelas, &lt;br /&gt;sutilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranho episódio da água que começava a sitiar os Distritos foi deixando a população irritadiça no inicio. Quando a correnteza demonstrou ser capaz de arrastar carros e mendigos e cães, os cafés franceses na Rua J. L. Borges já se encontravam falidos. Subitamente todos entenderam que algo terrível estava pra acontecer (argentinos ... os cafés chiques precisam falir para eles se preocuparem de verdade). Alguns bairros de Buenos Aires, pois não se tratava de outra cidade, ficaram totalmente ilhados deste então. Não se podia sair para trabalhar, as crianças não iam para as escolas. Faltava comida e água potável para os mais carentes. A caudalosa água negra condenou os munícipes à reclusão. Não preciso mencionar a repercussão desses fatos mundo afora. Comunidades estrangeiras faziam campanhas para a doação de roupas aos flagelados argentinos. A ONU prometeu ajuda imediata, os EUA especialmente. No Uruguai, o cantor Sting fez um show com alguns grupos latinos, inclusive brasileiros, em prol dos milhares de desabitados. Nunca se ouviu tantos cds de tango no mundo, especialmente Piazzolla.&lt;br /&gt; O planeta se sensibizava enquanto o caos rondava as ruas da cidade. Histeria geral. Pestes. Semanas e semanas de prisão em família fizeram os casos de suicídios aumentarem. &lt;br /&gt;A anarquia abria franquias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras providencias do Presidente argentino foi nomear um Ministério Extraordinário, cuja meta era descobrir um culpado para o desastre.&lt;br /&gt;Da cabine de alguma rádio sensacionalista, das muitas que infectavam a cidade, saiu uma das prováveis explicações para a água que irrompera em B. Aires. O locutor dizia que " Num ato terrorista, o governo brasileiro decidiu destruir a hidroelétrica de Itaipu, a maior do mundo, e desta forma desestabilizar o Estado Soberano Argentino com a submissão de sua Capital ". O radialista ainda falou sobre uma possível cumplicidade do governo paraguaio, não obstante as perdas ao território deste pais causadas pelo fenômeno agora chamado pela mídia de Alagacion. &lt;br /&gt;Diante de tais anúncios, a violência, é óbvio, explodiu. &lt;br /&gt;Tropas foram mobilizadas para a divisa com o Brasil. Na cidade também houve tensão: a pilhagem com o uso de botes improvisados era comum. Invasões, arrombamentos. Retirantes mais afortunados invadiam as cidades fronteiriças, para fora do Alagacion. E o que, afinal, era esse (essa) Alagacion? Místicos falavam que provinha da Era de Peixes, religiosos proclamavam a não original teoria do Dia-do-Juizo. Os ecologistas usavam o desastre para suas campanhas pelo globo. O Green Peace invadiu uma refinaria de petr]oleo no Alasca usando-o como justificativa. Mas voltemos à cidade, já que a desordem generalizada chegava ao ápice: um turista português era linchado, por engano. As coisas não podiam continuar assim, No more No more. Os EUA insinuavam uma possível intervenção no local. Muitos mortos apareciam na t.v.&lt;br /&gt;Por capricho, o destino quis que justamente outro português, por este haver escrito um livro acerca de uma tragédia natural inusitada, que este homem, dizia eu, fosse indicado O Conselheiro da cidade. O escritor comunicou oficialmente não entender o pedido, sendo ele apenas um ficcionista, nada podia fazer contra o Alagacion, função que, dizia o lusitano, cabia ao povo e aos especialistas, geólogos, climatólogos, etc, etc.&lt;br /&gt;Pressões por parte do governo argentino conquistaram o direito a uma expedição de inspetores do Ministério de Defesa ao território paraguaio e brasileiro, seguindo num barco de pesquisa o curso do rio Paraguai até o final, onde estaria a Represa. Concomitantente, o prefeito de Buenos Aires começava as obras de adaptação da cidade ao desastre.&lt;br /&gt;Finalmente a ajuda das Nações Unidas chegou a Buenos Aires depois da assinatura da promissória, no último abril, em Washington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comoção, um empenho extraordinário, e em cinco meses a comunidade internacional olhava boquiaberta a nova B. Aires. Um descomunal - mais impressionante que a palavra - sistema de canais navegáveis foi erigido, seguindo o curso das ruas e avenidas submersas. Diques construídos para atenuar a corrente eram vistos do Porto. A arquitetura da cidade alterou-se, prédios históricos receberam atenção especial. &lt;br /&gt;Com isso, a estrutura turística só obteve melhorias - a cidade estava sendo chamada de Veneza do Sul - As fachadas dos edifícios do centro foram restaurados, ofertando a quem navegava por Buenos Aires," de calmas águas e margens larguíssimas", um sentimento de placidez e conforto. O que era desastroso tornou-se refinamento. Atordoados ficariam os inspetores argentinos que desciam o Rio Paraná quando retornassem para a Capital, pois&lt;br /&gt;ao fim de investigações exaustivas, os técnicos chegaram a conclusão estupefata. A Usina de Itaipu, como afirmava roucamente o governo brasileiro, continuava funcionando como sempre. Mas que diabos! De onde, então, vinha aquela água toda?&lt;br /&gt;Teorias brotaram, especulações de improviso para o fenômeno. &lt;br /&gt;Uma equipe de arqueólogos disse até que um túnel secreto, de pretensa origem inca, com mais de quatro mil quilômetros, foi reaberto e estava minando a água dos Andes no subsolo da cidade. Absurdo!&lt;br /&gt;O mistério entreteu muito os cientistas num Congresso a respeito, acorrido no Hotel La Plaza.&lt;br /&gt;Em meio a réplicas e tréplicas, chegou às autoridades científicas a informação que a água de B. Aires tinha-se ido. Os participantes derrubaram as cadeiras, saltando a tribuna e atirando os microfones ao longe.&lt;br /&gt;Ao Vivo, ao vivo: apavorada, a população saiu as ruas, os turistas saíram as ruas, a Guarda Nacional saiu as ruas, lodosas e cheia de peixes surpreendidos.&lt;br /&gt;A água sumira. &lt;br /&gt;Mas mal deu tempo para os gatos voltarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois os argentinos bombardeavam Itaipu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso e outras coisas mais me contou uma senhora portenha bem gasalhada, recostada a eras na sua cadeira de balanço, enquanto comia pêssegos e me apontava uma arma. O bolero de Havel incendiava os alto-falantes da cidade. Na televisão, soldados azuis moviam as pernas como se dançassem o Danúbio Azul, em um dois três, fazendo coreografias alucinantes ... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poética do pasteleiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis é pasteleiro. Os anos passam e sua rotina não muda. Às cinco da matina está, barba rala, olhos vermelhos. Meio sonolento segue até a prateleira. Faz a operação maquinalmente. Três, sete, doze vezes ao dia. Farinha ovos sal fermento. No caos de suas mãos peludas os elementos se ordenam. No instante de se escorrer a água é que a matéria se transforma: o despejo requer paciência e comedimento e intuição. Clóvis é um feiticeiro. Agora sim, vai virando a massa, direita, esquerda - uma grande bola que lembra um mundo - nesse momento poderíamos dizer que Clóvis , Clóvis-Deus, se ilumina - Pagar o carro essa merda que só quebra imbecil Tem - durante a sova Clóvis fica de cabeça baixa - que consertar a porra da descarga Chego cansado e não posso Nem pensar em sair O Arnaldo não sai do meu pé com aquele cacete do cabelo na salada Ele que vá tomar no cu Me esfolo Nem pensar em pescar Caralho de merda - cebola, calabresa, presunto, alho, salsinha, queijo, orégano - Se naquele dia estivesse com a faca Bem que podia dar uma cuspidinha Inferno Sou um maldito mesmo Ela não me ama mais Pensa que me engana com aqueles olhinhos tremelicando E o material escolar Vou mostrar só O tomate tá vermelho como Não não agora não Ah Deus me ajude com esse catupiry...&lt;br /&gt;Clóvis estica, preenche, dobra, prensa. Com muito suor faz os pastéis deliciosos que encontramos em barracas de qualquer feira. &lt;br /&gt;Os pastéis de Clóvis cheiram à exorcismo e coentro fresco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posted by: jefferson / 9:00 AM&lt;br /&gt;Posted by: jefferson / 8:21 AM&lt;br /&gt;Posted by: jefferson / 6:59 AM&lt;br /&gt;Friday, February 06, 2004&lt;br /&gt;Nothing to write home about... &lt;br /&gt;Posted by: jefferson / 6:55 AM&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-108672190948215791?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/108672190948215791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=108672190948215791' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/108672190948215791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/108672190948215791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/06/da-criao-vers.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-107790448600348527</id><published>2004-02-27T13:28:00.000-04:00</published><updated>2004-04-22T13:41:26.186-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;WORK SONGS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       &lt;strong&gt;Quatro cantos de forja&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                          Eu cheiro a metal de chama                    &lt;br /&gt;                                          Deitado por alicate &lt;br /&gt;                                          No chiar que a água mela&lt;br /&gt;                                          Enrigesse e da coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Ao toque torna a bigorna                   &lt;br /&gt;                                          O incerto em forma latente&lt;br /&gt;                                          Que ferro tanto transforma&lt;br /&gt;                                          Que talho torna-se ente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Da cunha o fio de corte                      &lt;br /&gt;                                          Não suscita não aflição&lt;br /&gt;                                          A vida tem por sorte &lt;br /&gt;                                          Esmeril como profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          O sentir, o saber agir                         &lt;br /&gt;                                          Faz a beira da amoladeira&lt;br /&gt;                                          Tua lâmina corrigir&lt;br /&gt;                                          O nó de qualquer madeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            &lt;strong&gt;Lições para queimar&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;                                          &lt;br /&gt;                                          A mó'de fazer fogo&lt;br /&gt;                                          Antes inté que tenha flama&lt;br /&gt;                                          Além de lenho novo&lt;br /&gt;                                          Carece-se corísco e palha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Repara: forre o forno &lt;br /&gt;                                          Primeiro com pequenas falpas&lt;br /&gt;                                          Sem fole como sopro&lt;br /&gt;                                          Foca teu fôlego, repara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          Para chegar a solto&lt;br /&gt;                                          O fogo deve a si domar&lt;br /&gt;                                          O corpo virar toco&lt;br /&gt;                                          O toque labareda dar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-107790448600348527?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/107790448600348527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=107790448600348527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107790448600348527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107790448600348527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/02/work-songs-quatro-cantos-de-forja-eu.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-107720841200741927</id><published>2004-02-19T10:25:00.000-04:00</published><updated>2004-04-22T13:19:55.950-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;A água&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até onde se sabe, tudo começou com o insólito caso dos gatos. É provável que mesmo depois de relatada a questão, não fique claro o motivo que levaram-nos a sumir da cidade. Como uma inversão na ordem natural das coisa, do dia para a noite, todos fugiram. &lt;br /&gt;Só então os ratos apareceram.&lt;br /&gt;Milhares.&lt;br /&gt;Uma cascata inquieta deles atropelou os aposentados nas calçadas, saindo dos becos, dos boeiros, latrinas e sacos de aniagem, ninhadas inteiras saquearam as ruas. &lt;br /&gt;Seguiam para o poente, não sei aonde. Chile, talvez. &lt;br /&gt;Corriam, e isso eu sei, de uma ligeira, tenuíssima película de água de vagar devagar que avançava, tomando as primeiras ruelas, &lt;br /&gt;sutilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         *                                  *                                     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranho episódio da água que começava a sitiar os Distritos foi deixando a população irritadiça no inicio. Quando a correnteza demonstrou ser capaz de arrastar carros e mendigos e cães, os cafés franceses na Rua J. L. Borges já se encontravam falidos. Subitamente todos entenderam que algo terrível estava pra acontecer (argentinos ... os cafés chiques precisam falir para eles se preocuparem de verdade). Alguns bairros de Buenos aires, pois não se tratava de outra cidade, ficaram totalmente ilhados deste então. Não se podia sair para trabalhar, as crianças não iam para as escolas. Faltava comida e água potável para os mais carentes. A caudalosa água negra condenou os munícipes à reclusão. No Uruguai, o cantor Sting fez um show com alguns grupos latinos, inclusive brasileiros, em prol dos milhares de desabitados. Nunca se ouviu tantos cds de tango no mundo, especialmente Piazzolla.&lt;br /&gt;Não preciso mencionar a repercussão desses fatos mundo afora. Comunidades estrangeiras faziam campanhas para a doação de roupas aos flagelados argentinos, e como consequência dessa mobilização popular nos quatros cantos, os Estados  Nacionais resolveram agir.&lt;br /&gt;A ONU prometeu ajuda imediata, os EUA especialmente. O planeta se sensibilisou, o caos já se manifestava. Histeria geral. Pestes.&lt;br /&gt;Semanas e semanas de prisão em familia fizeram os casos de suicídios aumentarem. &lt;br /&gt;A anarquia abria franquias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       *                               *                            *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das primeiras providencias do Presidente argentino foi nomear um Ministério Extraordinário, cuja meta era descobrir um culpado para o desastre.&lt;br /&gt;Da cabine de alguma rádio sensacionalista, das muitas que infectavam a cidade, saiu uma das prováveis explicações para a água que irrompera em B. Aires. O locutor dizia que " Num ato terrorista, o governo brasileiro decidiu destruir a hidroelétrica de Itaipu, a maior do mundo, e desta forma desestabilisar o Estado Soberano Argentino com a submissão de sua Capital ". O radialista ainda falou sobre uma possível cumplicidade do governo paraguaio, não obstante as perdas ao território deste pais causadas pelo fenômeno agora chamado pela mídia de &lt;em&gt;Alagacion&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Diante de tais anuncios, a violência, é óbvio, explodiu. &lt;br /&gt;Tropas foram mobilizadas para a divisa com o Brasil. Na cidade também houve tensão: a pilhagem com o uso de botes improvisados era comum. Invasões, arrombamentos. Retirantes  mais afortunados invadiam as cidades fronteiriças, para fora do &lt;em&gt;Alagacion&lt;/em&gt;.E o que, afinal, era esse (essa) &lt;em&gt;Alagacion&lt;/em&gt;? Místicos falavam que provinha da Era de Peixes, religiosos proclamavam a não original teoria do Dia-do-Juizo. Os ecologistas usavam o desastre para suas campanhas pelo globo, o Green Peace envadiu uma refinaria no Alasca. Mas voltemos à cidade, já que a desordem generalizada chegava ao ápice: um turista português era linchado, por engano: maldita lingua. As coisas não podiam continuar assim, No more No more. Os EUA ensinuavam uma possível intervenção no local. Muitos mortos apareciam na t.v.&lt;br /&gt;Por capricho, o destino quis que justamente outro português, por este haver escrito um livro acerca de uma tragédia natural inusitada, que este homem, dizia eu, fosse indicado O Conselheiro da cidade.  O escritor comunicou oficialmente não entender o pedido, sendo ele apenas um ficcionista, nada podia fazer contra o &lt;em&gt;Alagacion&lt;/em&gt;, função que, dizia o lusitano, cabia ao povo e aos especialistas, geólogos, climatólogos, etc, etc.&lt;br /&gt;Pressões por parte do governo argentino conquistaram o direito a uma expedição de inspetores do Ministério de Defesa ao território paraguaio e brasileiro, seguindo num barco de pesquisa o curso do rio Paraguai até o final, onde estaria a Represa. Concomitantente a isso, o prefeito de Buenos Aires começava as obras de adaptação da cidade ao desastre.&lt;br /&gt;Finalmente a ajuda das Nações Unidas chegou a Buenos Aires depois da assinatura da promissória, no último abril, em Washington.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           *                               *                                  *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comoção, um empenho extraondinário, e em cinco meses a comunidade internacional olhava boquiaberta a nova B. Aires. Um descomunal - mais impressionanta que a palavra - sistema de canais navegaveis foi erigido, seguindo o curso das ruas e avenidas submersas. Diques construidos para atenuar a corrente eram vistos do Porto. A arquitetura da cidade alterou-se, prédios históricos receberam atenção especial. &lt;br /&gt;Com isso, a estrutura turística só obteve melhorias - a cidade estava sendo chamada de Veneza do Sul - As fachadas dos edifícios do centro foram restaurados, ofertando a quem navegava por Buenos aires," de calmas águas e margens larguíssimas", um sentimento de placidez e conforto. O que era desastroso tornou-se refinamento. Atordoados ficariam os inspetores argentinos que desciam o Rio Paraná quando retornacem para a Capital, pois&lt;br /&gt;ao fim de investigações exaustivas, os técnicos chegaram a conclusão estupefata. A Usina de Itaipu, como afirmava roucamente o governo brasileiro, continuava funcionando como sempre. Mas que diabos!, de onde, então, vinha aquela água toda?&lt;br /&gt;Teorias brotaram, especulações de improviso para o fenômeno. &lt;br /&gt;Uma equipe de arqueólogos disse até que um tunel secreto, de pretensa origem inca, com mais de quatro mil quilômetros, foi reaberto e estava minando a água dos Andes no subsolo da cidade. Absurdo!&lt;br /&gt;O mistério entreteu muito os cientistas num Congresso a respeito, acontecido no Hotel La Plaza.&lt;br /&gt;Em meio a réplicas e tréplicas, chegou  às autoridades científicas a informação que a água de B. Aires tinha-se ido. Os participantes derrubaram as caideiras, saltando a tribuna e atirando os mocrofones ao longe.&lt;br /&gt; Ao Vivo, ao vivo: apavorada, a população saiu as ruas, os turistas sairam as ruas, e a Guarda Nacional  saiu as ruas,  lodosas e cheia de peixes surpreendidos.&lt;br /&gt;A água sumira.  &lt;br /&gt;Mal deu tempo para os gatos voltarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois os argentinos bombardeavam Itaipu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma senhora agasalhada, recostada a eras na sua cadeira de balanço, comia pessegos. O bolero de Havel incendiava os autofalantes da cidade. Soldados azuis moviam as pernas como se dançassem o Danúbio Azul, em um dois três, fazendo coreografias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-107720841200741927?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/107720841200741927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=107720841200741927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107720841200741927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107720841200741927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/02/gua-at-onde-se-sabe-tudo-comeou-com-o.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6439965.post-107607957059945163</id><published>2004-02-06T10:55:00.000-04:00</published><updated>2004-02-06T11:01:53.013-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nothing to write home about...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6439965-107607957059945163?l=tijolosamarelos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/feeds/107607957059945163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6439965&amp;postID=107607957059945163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107607957059945163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6439965/posts/default/107607957059945163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tijolosamarelos.blogspot.com/2004/02/nothing-to-write-home-about.html' title=''/><author><name>D.D.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10777058777715257768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
